Confira as nossas resenhas: As intermitências da morte

O dia em que a morte decretou greve

I Por Ligia Borges

I 20 de agosto de 2018

 

 

A morte resolveu suspender as suas atividades. “ No dia seguinte ninguém morreu”. Assim Saramago começa a nos contar essa maravilhosa história que nos revela tanto sobre a genialidade do autor.  Com a sua imensa capacidade inventiva, ele dá voz e humanização a uma das figuras mais temidas da humanidade, a morte, e nos leva a refletir sobre o seu papel para o equilíbrio da vida e das instituições.

Sem nenhuma razão aparente, as pessoas simplesmente pararam de morrer num determinado país e, com o passar dos dias, uma série de instituições que dependiam da morte para existir começam a entrar em colapso. A igreja que vê o seu papel e até a sua própria condição de existência serem colocados em cheque porque sem a morte não há ressurreição, os hospitais, as casas funerárias e as seguradoras de vida são as primeiras instituições a se desesperarem diante do “ problema” e a pressionarem o Estado por uma solução. Este por sua vez se vê diante de uma crise sem saber ao certo quais medidas tomar para evitar um colapso social diante de situação tão inusitada.  O sistema previdenciário de pensões e aposentadorias, por exemplo, como ficaria diante da greve da morte? Continue reading “Confira as nossas resenhas: As intermitências da morte”

Confira as nossas resenhas: A insustentável leveza do ser

A insustentável leveza do ser

 I Por Ligia Borges

I 1º de junho de 2018

 

A leitura de A Insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, me fez refletir sobre como a experiência literária conversa com o nosso momento de vida e com a nossa bagagem de referências. Digo isso porque este livro me foi recomendando por uma amiga que tem muito bom gosto literário e todas as pessoas com quem conversei sobre ele, de certa forma, gostam bastante dessa história contada por Kundera. Não acho que o livro seja ruim, mas apenas o li no momento em que não estava tão predisposta a esta leitura, de modo que enrolei, divaguei, me perdi, enfim, o resultado foi que, para usar expressões da boa coloquialidade de nossa prosa falada por ai “não bateu”, não “demos liga”.

Para facilitar a nossa compreensão sobre esta história, resolvi dividir a minha análise em três eixos e com a finalidade de otimizar o nosso tempo, falarei rapidamente sobre cada um deles, mas me atentarei ao que mais me chamou a atenção dentro do meu processo de leitura.

Trata-se um romance filosófico que ao meu ver tem três linhas de sustentação: as relações amorosas entre quatro personagens (Tomas e Tereza, Sabrina e Franz) e essas aqui não me surpreenderam tanto, já as vi em vários outros romances que tratam de histórias de amor, na vida, essa parte me deixou um pouco entediada em alguns momentos, confesso, são relações complicadas, difíceis, permeadas de traições e paixões; o contexto histórico, pois essa história se passa em Praga, capital da República Tcheca no pós segunda guerra mundial quando a Rússia emerge como grande potência liderando o bloco socialista da União Soviética, essa parte é interessante porque mostra a situação de uma cidade em meio a uma realidade do pós- guerra, mas ainda sob atmosfera de uma nova guerra (a fria) ; e por último o eixo filosófico-existencial que foi o que mais me chamou atenção nesta leitura. Continue reading “Confira as nossas resenhas: A insustentável leveza do ser”