Confira as nossas resenhas: Capitães da Areia

Quem são os Capitães da Areia?

 I Por Ligia Borges

I 8 de outubro de 2018

 

" e foi desta época que a cidade começou a ouvir falar nos Capitães da Areia, crianças abandonadas que viviam do furto. Nunca ninguém soube o número exato de meninos que assim viviam. Eram bem uns cem e destes mais de quarenta dormiam nas ruínas do velho trapiche."
” e foi desta época que a cidade começou a ouvir falar nos Capitães da Areia, crianças abandonadas que viviam do furto. Nunca ninguém soube o número exato de meninos que assim viviam. Eram bem uns cem e destes mais de quarenta dormiam nas ruínas do velho trapiche.”

Em Capitães da Areia, Jorge Amado lança mão da sua habilidade literária para trazer luz a um tema social que há muito perpassa a nossa sociedade e o faz por meio do relato de uma situação que, a meu ver, já se tornou atemporal. O autor nos convida a mergulhar nos subúrbios de Salvador para acompanhar a vida e o cotidiano dos meninos de rua: os temidos Capitães da Areia. Quem são? Onde vivem? O que fazem? Por que agem assim?

Um bando de crianças abandonadas entre 8 e 16 anos que vivem nas ruas de Salvador e são temidas e, ao mesmo tempo, ignoradas por uma sociedade que se sente vítimas delas.

Os garotos abandonados à própria sorte se refugiam num trapiche, lugar que utilizam para se abrigar, e preenchem sua vida – vazia de escola, moradia, comida, amor, respeito e carinho – com pequenos furtos, brigas  e diversos outros tipos de vandalismos que realizam pelas ruas de Salvador. Até aí, não vemos novidade alguma no relato dessa situação que qualquer reportagem de jornal daria conta de descrever. Continue reading “Confira as nossas resenhas: Capitães da Areia”

Notícias: Poesia de cordel é declarada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro

Poesia de cordel é declarada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro

I Por Ligia Borges

I 20 de setembro de 2018

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J. Borges ganhou exposição comemorativa pelos seus 80 anos, promovida pela Caixa Cultural. Essa foto foi tirada em Brasília, mas a exposição tem rodado o país. Foto: Arquivo Pessoal.

Um dos estilos literários mais próximos da cultura popular, a poesia da literatura de cordel foi reconhecida nesta quarta-feira (19) como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. O título foi concedido por unanimidade pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A literatura de cordel teve início no Norte e no Nordeste, espalhando-se por todo o Brasil. O estilo retrata muito o imaginário coletivo, a cultura popular, a memória social e o ponto de vista dos poetas a respeito de acontecimentos vividos ou imaginados.

José Francisco Borges, mais conhecido como J. Borges, é um dos nomes mais conhecidos quando se fala de cordel. No início do ano, tive a oportunidade de visitar uma exposição, em Brasília, em que apresentava uma parte das suas obras e um pouco da sua vida. Uma lindeza! Continue reading “Notícias: Poesia de cordel é declarada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro”

Confira as nossas resenhas: Rita Lee, uma autobiografia

Desculpe o auê

 

I Por Ligia Borges

I 12 de fevereiro de 2018

Quando eu ganhei a autobiografia da Rita Lee, confesso que não fiquei lá tão empolgada assim, porque a cantora sempre foi uma figura neutra para mim: não acompanhei a trajetória dos Mutantes, conhecia a Ritinha (depois da leitura me sinto confortável para chamá-la assim) de uma música ou outra, provavelmente, de alguma trilha sonora de novela do horário nobre. Foi mal aê, Rita!

O que mudou então?  Ler a autobiografia da Rita Lee é mergulhar nos bastidores da música brasileira nos idos dos anos 70/80/90, é conhecer um ser humano que viveu intensamente a concretização dessa frase de Caetano, “ a dor e a delícia de ser o que é”. A leitura é um convite a uma conversa franca e divertidíssima, muitas vezes, chocante. Não tem como não se impressionar, não sentir uma vontade imensa de conhecê-la.

E a Rita escritora me surpreendeu muito.  Ela conseguiu explorar com tamanha riqueza o estilo coloquial da narrativa. A impressão que se tem da leitura é que ela está sentada num banquinho ao nosso lado contando todos aqueles casos. Fofa!

Sem pudor ou falsa modéstia, Rita abre o verbo. Fala da relação com seus pais, sua família, traça um retrato muito intimo da sua infância e adolescência. Fala de coisas que deixa qualquer ser humano de cabelo em pé, mas me parece que ela lida com tudo isso com tamanha naturalidade, que a gente avança e percorre as páginas, segue o baile da leitura, sem parar para lamentar os fatos que ocorreram em sua vida.

Defensora dos animais, detestava ver qualquer mal trato aos bichinhos. Fofa! Consciente! A relação de amor com Roberto Carvalho é uma coisa linda de se ver, uma parceria belíssima, inspiração para diversas composições, “desculpe o auê, eu não queria magoar você” surgiu após uma briga do casal. A gente pensa: que bom Rita que, em meio a esse liquidificador que você escreveu nas páginas da vida e relatou para a gente aqui nessa biografia, você encontrou um parceiro desses, tem sua família que te acolhe, que são felizes.

“ Estranho ter sido o que fui sendo o que sou hoje. Parece que sempre tive a idade que tenho agora. Aos setenta tem-se a impressão de que a vida passou rápido demais, escrevendo a própria biografia, percebe-se que foi longa pra caramba. Vivi intensamente infância, juventude e maturidade, a fase velhice é novidade para mim, apesar de, claro, percebê-la mais familiar do que as anteriores” …

 

Ficha Técnica

Título:  Rita Lee, uma autobiografia

Autor: Rita Lee

Editora:  Globo Livros

Páginas: 296

 

Sinopse Oficial:  

“Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias. Está tudo lá. E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas – e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas… Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado.” Guilherme Samora é jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee.