Confira nossas resenhas: Na minha pele

Na Minha Pele: um romance biográfico, será que é possível?

I Por Ligia Borges

I 13 de novembro de 2017

Em Na Minha Pele – livro escrito por Lázaro Ramos, conhecido pelos seus inúmeros personagens, vou citar os meus favoritos: Roque Bahia de Ó paí, Ó; Foguinho de Cobras & Lagartos; Brau de Mister Brau, mas tem vários outros papéis das produções cinematográficas e telenovelas estreladas por ele –, bem o ator já é conhecido, mas como eu estava dizendo, em Na Minha Pele temos a oportunidade de olhar um pouco mais para o cidadão Lázaro que se revela através do escritor.  Estamos diante de uma conversa franca, um convite à reflexão e à tomada de consciência sobre temas como construção de identidade, autoestima, racismo, família, valores e cidadania.

Porém me arrisco a dizer mais, o livro vai além de um relato biográfico puro e simples, é quase um romance. Ramos ao narrar a história da sua família, por meio das memórias e lembranças da sua infância, dá voz a personagens reais e recria a Ilha de Paty, a pouco mais de setenta quilômetros de Salvador, localizada na baía de todos os Santos.

É uma delícia vivenciar as histórias contadas por ele, algumas muitas vezes duras, tristes, mas humanas, de luta, como é a vida real cheia de altos e baixos, mas muitas delas divertidas também. Algumas dessas histórias tem um encanto ainda maior quando seu RG tem a sigla BA de Bahia, como é o caso da pessoa que vos fala. Inúmeras foram os momentos em que folheando as páginas dessa viagem revivi cenas da minha infância.

“ Quando alguém está no “porto” e quer chegar até o Paty, só precisa gritar: “ Tomaquê”.” E Lázaro explica ao leitor o significado de expressões tão comuns na Bahia. É uma redução como Oxente que quer dizer “O que é isso, minha gente”,  ou  Ó paí, ó, que é “Olhe para isso, olhe. E o Tomaquê  é o mesmo que “ Me tome aqui, do outro lado da margem”. Porém como ele mesmo diz é muito mais gostoso falar Tomaquê e, assim, ele vai recriando cenários, recuperando contextos, tecendo uma história que é uma história real que ainda está sendo escrita por ele.

Mas voltemos ao ponto de onde eu havia parado antes de me perder nas expressões regionais. Voltando ao livro, este é também um relato delicado e leve, mas ao mesmo tempo forte e incisivo sobre um tema tão pesado que é o racismo, uma violência, um crime cruel que acontece o tempo todo e se disfarça de pequenos gestos e de olhares segregadores, que subjuga, oprime, nos leva a dar milhares de passos na macha ré da evolução e do progresso, em todos os sentidos: humano, moral, intelectual, espiritual, econômico, político etc.

A camélia era usada como um símbolo que identificava quem era contra a escravidão. Imagem: freepik.com

Nas páginas de em Na Minha Pele, vamos nos deparar também com fatos importantes e marcantes da história de luta do negro nesse mundão de meu Deus, que nos emociona e nos toca. Vocês sabiam que a camélia (foto), a flor, era usada como um símbolo que identificava quem era contra a escravidão? Usar a flor na lapela do paletó ou ter camélias nos jardins era um sinal utilizado pelos escravos para identificar quem podia lhes dar apoio na luta contra a escravidão. Esses e outros relatos do livro enriquecem a nossa memória coletiva e nos aproxima ainda mais das nossas origens, nos humaniza.

Sobre o autor – Tive a oportunidade de conhecer Lázaro Ramos e assistir a algumas das suas palestras na edição desse ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) que homenageou Lima Barreto e deu espaço para diversos bons escritores negros ( Conceição Evaristo, Djaimilia Pereira, só para citar alguns), mas a Flip merece um post à parte. Voltando a Lázaro tive o prazer de conhecê-lo e conversar um pouquinho com ele, e posso dizer que a gente admira o ator, começa a gostar do escritor, mas se encanta mesmo é pelo cidadão que aproveita o espaço e visibilidade conquistados por sua arte para colocar no debate a discussao sobre  todas essas questões. ” ‘Seu lugar é aquele onde você sonha estar’. Hoje assumo: precisava propagar essa ideia, a ideia de que sonho é a meta. Há que se desejar mais e que pensar que é possível.”

 

Ficha técnica do livro

Título: Na Minha Pele

Autor: Lázaro Ramos

Editora: Objetiva

Ano: 2017

Edição: 1ª edição

Total de Páginas: 152pgs

Confira as nossas resenhas: O evangelho segundo Jesus Cristo

O dia, ou melhor, o livro em que fiz as pazes com Saramago

I Por Ligia Borges

I 6 de novembro de 2017

O Evangelho segundo Jesus Cristo foi publicado em 1991. Dizem que na época Saramago passou a ser malvisto pela Igreja após publicar esta obra que humanizou a figura de Jesus Cristo.

Assim como muita gente, comecei a ler a obra do escritor português José Saramago por um dos seu livros mais famosos e premiado, o Ensaio sobre a Cegueira. Essa obra rendeu ao autor um dos prêmios mais importantes da literatura portuguesa que é o Prêmio Camões, em 1995, e foi adaptada para o cinema pelo brasileiro Fernando Meirelles em 1997. Acontece que na época em que o li, devia ter uns 14 anos, acho que não tinha maturidade o suficiente para compreender a dimensão da obra e a grandeza de estilo do autor com a sua ausência de parágrafos e pontuação definida para introduzir a fala dos personagens. E foi assim que o estrago estava feito, terminei o livro porque sou persistente, mas detestei Saramago e, digo mais, passei anos afirmando para mim mesma e para as outras pessoas a dificuldade que é ler a obra do escritor.

E aqui faço um parêntese muito rápido, acredito que alguns livros ou alguns autores requerem uma certa maturidade ou uma contextualização para serem lidos e melhor compreendidos.  Dia desses conversava com uma amiga e ela me dizia que até hoje agradece muito a uma professora que a iniciou na obra de Clarice Lispector por meio de A hora da Estrela, livro mais acessível e simples do ponto de vista da linguagem, e que se o tivesse feito por meio de outros títulos como A Paixão segundo GH, por exemplo, que é considerado um dos livros mais densos do realismo psicológico, porque revela uma imersão mais profunda na introspecção com um mergulho na psique dos personagens, teria detestado Clarice.

Essa mesma amiga, que é uma das maiores admiradoras da obra de Saramago que conheço, me emprestou O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Graças a insistência dela, baixei a guarda e resolvi dar uma segunda chance a Saramago. E, acreditem, me surpreendi, pois o livro é muito bom. O autor simplesmente reconta uma das histórias mais conhecidas da humanidade, que nos vem sendo contada há tantos séculos: a vida de Jesus Cristo, só que a partir da visão do próprio Cristo. Saindo da ótica do divino para fazer um retrato da passagem de Cristo pela terra sob a perspectiva do homem, a partir da frágil, mas tenaz natureza humana … o resultado? Um Jesus Cristo de carne e osso como nunca ousamos enxergar. E o autor recria essa história por meio de uma narrativa criativa e encantadora que prende a atenção do leitor do início ao fim, mesmo seguindo fiel ao estilo Saramago de ser: sem pontuação marcada ou parágrafos definidos.

E o resultado disso tudo é que terminei a leitura com vontade de ler outros títulos do autor, farei isso, conto para vocês essa experiência nos próximos posts.

” A ocasião pode sempre criar uma necessidade, mas se a necessidade é forte, terá de ser ela a fazer a ocasião”

                                                           Maria. ( O Evangelho Segundo Jesus Cristo)

Uma curiosidade:  Saramago que era ateu publicou O Evangelho segundo Jesus Cristo em 1991. Dizem as línguas literárias, e aqui não me atrevo a dizer se boas ou más, que na época ele passou a ser malvisto pela Igreja após publicar esta obra que humanizou a figura de Jesus Cristo. A polêmica foi tão forte que o escritor decidiu se isolar com Pilar, sua esposa, na ilha de Lanzarote, a mais oriental do arquipélago das Canárias, na Espanha.

Sobre o autor: Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, em uma família humilde de agricultores que morava na Aldeia da Azinhaga, localizada próxima da província do Ribatejo, em Portugal.

Um dos maiores escritores da literatura portuguesa, José Saramago entrou para história ao se tornar o primeiro autor de língua portuguesa a ganhar um Nobel da Literatura em 8 de outubro de 1998.

Escreveu diversos livros, além de O Evangelho segundo Jesus Cristo publicou também : O ano da morte de Ricardo Reis; O ano de 1993; A bagagem do viajante; O caderno; Cadernos de Lanzarote; Cadernos de Lanzarote II; Caim; A caverna; O conto da ilha desconhecida; Claraboia; Don Giovanni ou dissoluto absolvido; Ensaio sobre a cegueira; Ensaio sobre lucidez; História do cerco de Lisboa; O homem duplicado; In Nomie Dei; A intermitências da morte; A jangada de pedra; A maior flor do mundo: Manual de pintura e caligrafia; Objecto quase; As pequenas memórias; Que farei com este livro?; Todos os nomes: Viagem a Portugal; A viagem do elefante; Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas.

Ficha técnica do livro

Título: O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Autor: José Saramago

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2010

Edição: 1ª edição (1991), 43 reimpressões

Total de Páginas: 445pgs

Confira as nossas resenhas: A hora do Lobisomem

A hora, ou duas, do Lobisomem

I Por C. J. Fernandes

I 30 de Outubro de 2017

O mestre Stephen King é conhecido pelos textos longos e pelas construções de personagens com detalhes e sem pressa. Já tinha lido o Iluminado e estava com It em andamento quando um belo dia quis dar um tempo do senhor Bob Gray (Pennywise) e dei uma olhadela em A Hora do Lobisomem. Já tinha assistido ao filme (eu sei, eu sei, mais um filme adaptado de King) que tem o nome de “Bala de Prata”, que é tão antigo quanto o palhaço Bozo. Como sempre, queria comparar o livro com o filme.

Comparações à parte, o livro é dividido em meses, e em cada fase que a lua cheia aparece. É claro que o período não é tão certinho, o autor justifica no final do livro o motivo mas, sendo sincero, nem dá para se preocupar com isso. O que me surpreendeu foi que cada mês, ou seja, cada capítulo é um conto. Tudo envolve uma história central, a do lobisomem e a da cidade, mas a forma que ele conta é magnífica.

King é sucinto! Isso mesmo, Stephen King, aquele mesmo que escreveu It (1104 páginas), economiza nas palavras! Em contrapartida, a riqueza do texto é sensacional, demonstrando a habilidade e técnica ímpar que ele possui, o que o faz realmente, um dos maiores autores do gênero de terror. Não falta nada, temos uma cidade ameaçada por um monstro, um protagonista, vítimas desesperadas e um plot twist daqueles., ou seja, elementos fundamentais de toda excelente história. A cereja do bolo dessa edição são as ilustrações que Bernie Wrightson desenha em cada, capítulo, em cada ataque do lobo. Vale ressaltar o lindo trabalho da editora Suma de letras, com a capa (emborrachada e em alto relevo) e com algumas artes, de desenhistas brasileiros, ao final do livro, onde cada um dá a sua interpretação do livro.

Para quem nunca leu um livro de Stephen King, ou que ler uma obra curta dele (algo raro), vale a pena investir uma tarde, ou uma noite de lua cheia, em A hora do lobisomem.

Título: A hora do lobisomem

Autor: Stephen King e Bernie Wrightson (ilustrações)

Editora: Suma de letras.

Páginas: 152

Sinopse oficial: O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora, a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’s Mill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu, um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. Um clássico de Stephen King, com as ilustrações originais de Bernie Wrightson.

Uma criatura chegou a Tarker’s Mills, tão sorrateira quanto a lua cheia presidindo o céu noturno”…”A hora dele é agora, o lugar dele é aqui, nesta pequena cidade do Maine, onde jantares de caridade na igreja são um evento semanal, onde garotinhos e garotinhas ainda levam maçãs para as professoras, onde as Excursões na Natureza do Clube dos Cidadãos Idosos são religiosamente relatadas no jornal semanal. Semana que vem, haverá notícias de natureza mais sombria. “

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: www.livrariacultura.com.br

Notícias: Dia Nacional do Livro

Você sabe por que o Dia Nacional do Livro é celebrado em 29 de Outubro?

I Por Ligia Borges

I 29 de Outubro de 2017

Data é uma homenagem à criação da Biblioteca Nacional do Brasil

Fachada externa da Biblioteca Nacional que hoje abriga acervo com cerca de 10 milhões de itens. Foto: Divulgação Internet

Esta data foi escolhida em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional do Brasil, em 29 de outubro de 1810. Mas essa história começa lá em meados de 1808 com a chegada de D. João VI e sua corte ao Rio de Janeiro. A Coroa Portuguesa que fugiu para o Brasil quando Portugal foi invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte desembarcou nestas terras trazendo na bagagem milhares de livros e outras peças como documentos, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas da Real Biblioteca Portuguesa.

Começava ai a base principal do acervo da Biblioteca Nacional do Brasil que hoje conta com cerca de dez milhões de itens.

Inicialmente, o acervo foi acomodado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro. Mas em 29 de outubro de 1810, foi publicado o decreto que fundava oficialmente a Real Biblioteca.

Segundo relatos históricos, foi nesta época inclusive que o Brasil começou a editar seus próprios livros ainda maio de 1808, quando D. João VI fundou a Imprensa Régia. Nascia aí também oficialmente a imprensa brasileira, em 13 de maio daquele ano, dia do aniversário do príncipe regente D. João.

Atualmente a Biblioteca Nacional do Brasil foi considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, é também a maior biblioteca da América Latina.

 

Confira as nossas resenhas: It

 It, o maior, literalmente, livro do mestre Stephen King

I Por  C.J.Fernandes

I 24 de Outubro de 2017

A primeira impressão é a que fica”, nunca acreditei nesse ditado, ainda bem. O primeiro livro do Sr. King que eu li foi “O Iluminado” e confesso que este ficou abaixo das minhas expectativas. A história demorou para pegar ritmo e terminar o livro foi mais uma questão de honra do que qualquer outra coisa! Embora este texto não seja sobre O Iluminado, estou ressaltando esse fato porque fiquei com medo de ler It, um romance de 1.104 páginas de um autor que, embora famoso e aclamado, não tinha a minha empatia (será que sou normal?). O que de fato me fez ler “It” foi o encorajamento de um amigo e leitor compulsivo que tinha lido esta obra e desistido de “O Iluminado” (e não era nenhum leitor, é daqueles que lê o livro mais de uma vez, daqueles que lê a saga da “Torre Negra”, que King dividiu em sete livros, duas vezes! Eu disse duas vezes!). Com a proximidade do lançamento do filme It resolvi encarar o desafio. Ainda bem (de novo).

O livro tem um núcleo de personagens cativantes desde a primeira página. King é conhecido pela construção de personagens e de cenários de forma minuciosa e sem pressa, dure o tempo que precisar. Em “It” não é diferente, embora ele mantenha um ritmo constante e mais acelerado do que o livro anterior que citei no início desta resenha, há sutis quebras de ritmo, mas nada que freie a expectativa do leitor. É fato que Pennywise, o palhaço dançarino, seja o grande vilão do livro, porém, somos apresentados a inimigos reais da juventude: o preconceito, o racismo, o machismo, a violência contra mulher, os relacionamentos abusivos e outras formas de bullying tão presentes nessa fase. Ah, não podemos esquecer de Henry Bowers, o esteriótipo de valentão repetente de ano que todos nós já tivemos a oportunidade de esbarrar por aí. Esses momentos de confrontos reais, assim como a união do Clube dos Otários (os sete personagens principais do livro) é o que nos fazem persistir em ler mais de 1.000 páginas de história. Certamente que estamos lá por conta do terror também, mas não é algo realmente aterrorizante, quando visto da perspectiva de um adulto é claro, mas isso não diminui os momentos de tensão e a expectativa para o desfecho da história.

Não é spoiler falar que eles se reencontram 27 anos depois para o embate final com “A coisa”. Portanto, sabemos mais sobre o que aconteceu com eles após a infância e como eles estão agora, adultos. O livro brinca com o tempo, hora narrando as aventuras infantis do clube, hora mostrando a reunião deles enquanto adultos. E isso vai até o final, de forma não linear. O que aumenta a ansiedade por saber mais sobre eles, e sobre “A coisa”. Ah, “A coisa”, a polêmica número um do livro. Mesmo sabendo que é uma obra de ficção muitos criticam a origem do “Palhaço dançarino”, assim como outros personagens apresentados na trama. Às vezes criamos uma expectativa muito material, mundana para racionalizar a origem de tudo, mesmo lendo ficção científica. Há pessoas que criticam a origem de Pennywise, eu entendo, mas não vi, ou li, nada que fosse muito “viajandão”. Se pararmos para analisar, de forma fria e calculista, a própria origem do universo é algo até hoje inexplicável e incerto para muitos. Há outras polêmicas no livro que considero mais pertinentes. Uma em especial, infelizmente, sou daqueles contra spoilers, mas deixo registrado que a tal cena polêmica mais criticada da obra seja, na minha modesta opinião, um dos poucos momentos desnecessários do livro, pois todos os capítulos fazem sentido ao final da leitura completa, por mais despretensiosos que possam parecer.

Se você assistiu ao primeiro filme de 2017, aguarda a sua continuação para 2019, e está preocupado com os possíveis spoilers que o filme trará, não se preocupe. Como a maioria das adaptações audiovisuais de livros, há grandes alterações na história original, o que permite a leitura desta obra-prima do medo sem pressa. A leitura contínua e ininterrupta, por mais demorada que seja, ajudará a torná-lo mais um membro do Clube dos Otários (aliás, quem nunca teve o seu clubinho?), criando uma relação de amizade com aquelas sete crianças e deixando uma saudade imensa assim que lemos o último parágrafo.

Título: It, a coisa.

Autor: Stephen King.

Editora: Suma de letras.

Páginas: 1.104

Sinopse oficial: Durante as férias de 1958, em uma pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança… e do medo. O mais profundo e tenebroso medo.

Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permaneceu em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry.

O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Neste clássico de Stephen King, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: https://www.amazon.com.br