Confira as nossas resenhas: O Conto da Ilha Desconhecida

Em busca da ilha desconhecida …

I Por Ligia Borges

I 9 de maio de 2018

 

” É necessário sair da ilha para ver a ilha … não nos vemos se não saímos de nós…”.   O conto da ilha desconhecida, de José Saramago, foi um presentinho que ganhei da mãe de um dos meus melhores amigos. E ela me disse: ” Achei o livro a sua cara, Liginha, espero que goste”.  Curioso que essa frase dela ficou na minha cabeça de modo que direcionou o meu olhar para a leitura. Confesso que enquanto percorria as páginas dessa história buscava um sentido, tentando entender por que ela havia associado o livro a mim.

Trata-se de um livro pequeno com uma edição bem bonita, cheia de aquarelas, da Companhia das Letras, daqueles que a gente senta e lê de uma tacada só. E entende num passo de mágica também? Não, não entende.

Apesar de ser um conto, texto com uma estrutura curta, estamos diante daquele tipo de leitura que te engana pelo tamanho. Digo isso porque a história te toma e faz com que você mergulhe num mar de reflexões tentando apreender o sentido de tudo aquilo que foi dito. Estamos falando de Saramago, meu povo, não é tão simples assim. Existe uma pluralidade de sentidos escondidos nas entrelinhas. Existem nuances que só ganham formas a partir da experiência pessoal e da maturidade de cada um. E acredito que algumas delas só tomam corpo mesmo com um pouco mais de tempo após a leitura. Continue reading “Confira as nossas resenhas: O Conto da Ilha Desconhecida”

Confira as nossas resenhas: Sidarta

Vamos falar sobre Sidarta?

I Por Ligia Borges

I 24 de abril de 2018

 

Sidarta é um romance filosófico existencial escrito pelo alemão Hermann Hesse. Particularmente, o considero um livrinho muito especial, daquelas leituras que chegam até você em momento oportuno e te trazem uma nova perspectiva a respeito da vida e de muita coisa. Esse livro me foi recomendando há mais de dois anos por um amigo alemão de passagem pelo Brasil, mas como tudo na vida tem seu tempo, somente agora consegui parar e mergulhar nessa leitura.

É uma história que fala muito do encontro consigo mesmo e do autoconhecimento, é um livro sobre a observação atenta de si, da busca por respostas que só conseguimos enxergar, justamente, quando não estamos procurando por elas.

A obra propõe um mergulho na cultura oriental, mas não se trata de uma história sobre o budismo, essencialmente, apesar de ter sido inspirado na vida do príncipe Siddhartha Gautama, o Buda. Na verdade, Sidarta é uma obra da literatura ocidental que foi escrito por Hesse após uma viagem que o escritor fez a Índia em 1911. Hesse é um verdadeiro contador de histórias, um narrador com alma de poeta que soube como nenhum outro escritor, até então, transpor para o Ocidente a riqueza de valores e a grandiosidade da sabedoria presentes na cultura oriental. Continue reading “Confira as nossas resenhas: Sidarta”

Causos Literários da Srta Borges: A casa do Rio Vermelho

O Jardim e a Literatura de Jorge Amado e Zélia Gattai

I Por Ligia Borges

I 18 de abril de 2018

Já faz um tempo que venho incluindo nas minhas viagens e andanças por aí uma pitada literária, além das visitas aos jardins e às flores, é claro.  E na semana passada eu consegui o privilégio de conciliar num mesmo espaço estas duas paixões: o jardim e a literatura. Admiradora que sou das flores e dos livros, aproveitei a minha passagem por Salvador para conhecer a Casa do Rio Vermelho de Jorge Amado e Zélia Gattai. O espaço reúne toda história pessoal do casal de escritores.

Entrada de acesso a Casa do Rio Vermelho na Rua Alagoinhas, nº 33 em Salvador (BA).

A casa está localizada na Rua Alagoinhas, nº 33, no bairro do Rio Vermelho. O casal viveu nesta casa por mais de 40 anos e, de certa forma, podemos dizer que ainda permanecem por lá. Cada cantinho da casa é preenchido pelos objetos que os inspiravam, pelos presentes de inúmeros amigos que os encantavam e eram encantados por eles. Continue reading “Causos Literários da Srta Borges: A casa do Rio Vermelho”

Confira as nossas resenhas: Hemlocke Grove

Vampiros, Lobisomens, mistérios e…?

| Por C.J. Fernandes

|09/04/2018

Em um daqueles casos de assistir a adaptação antes da obra original, Hemlocke Grove foi uma série que me fascinou na primeira temporada. Assisti a segunda (com um season finale, absurdo, típico ex-machina) e tentei assistir a terceira, mas desisti. Como já tinha o livro no Kindle, resolvi dar uma chance, até para ver as diferenças entre a série e o texto. Ainda bem que o livro todo é adaptado na primeira temporada, porém, isso pode ter sido ruim também.

A história inicialmente não é nada original. Um corpo de uma adolescente é encontrado e o mistério que circunda a sua morte como de outras pessoas também. Clichê. Entretanto, uma dupla de colegas de escola improvável (um cigano e um playboy) é formada a fim de descobrir quem é responsável pelas mortes e ao mesmo tempo livrar um desses alunos de ser acusado pela polícia e sociedade de Hemlock Grove.

Em meio a isso, somos apresentados a lobisomens, vampiros e cientistas com síndrome de Victor Frankstein, parece, mas não é tão clichê assim.

O autor, Brian Mcgreevy, escreve muito, muito bem. Para a sua primeira obra, seu texto é ligeiro e ele usa e abusa das analogias com talento. O seu universo em Hemlocke é muito bem estabelecido, conhecemos um pouco de cada personagem embora os mistérios que os envolvam, assim como os da cidade, deixam pontas soltas para uma provável continuação. Você sabe que ele as deixou de propósito, para que compremos o segundo livro. Segundo livro esse, que nunca existiu, e aí que está o problema.

A premissa em si é resolvida nessa edição, assim como na primeira temporada da série. Porém, não existe uma continuação do livro e o próprio autor confirmou que não tem previsão e nem sabe se haverá um segundo. Isso é desanimador, pois queremos saber como aquela história continua, para onde os personagens vão e quais são as respostas pelas perguntas inevitáveis que surgem no decorrer da leitura. Parece que Mcgreevy, que teve seu texto várias vezes recusados em Los Angeles, após fazer sucesso como autor e produtor de seriado, se deixou seduzir pela indústria, esquecendo dos leitores, que é por onde tudo começa. Seria uma síndrome de George R. R. Martin?

Título: Hemlocke Grove

Autor: Brian McGreevy

Editora: Leya

Páginas: 340

Sinopse oficial

Para você que está cansado de livros de vampiros e lobisomens inofensivos e sensíveis… Um mistério abala a cidade de Hemlock Grove. Quando Brooke Bluebell, uma jovem de 17 anos, é brutalmente assassinada na antiga siderúrgica de Godfrey numa noite de lua cheia, as suspeitas rapidamente recaem sobre Peter Rumancek, o jovem cigano que muitos acreditam ser um lobisomem, e Roman Godfrey, o esnobe milionário herdeiro da fábrica onde o corpo de Brooke foi encontrado. Injustiçados, Peter e Roman resolvem unir forças para descobrir o verdadeiro assassino e provar que são inocentes. A caçada começa quando outras mortes passam a ocorrer – também em noites de lua cheia – e os jovens começam a desconfiar que estão mais envolvidos com o caso do que poderiam imaginar… Em “Hemlock Grove” os arquétipos de monstros clássicos são recriados de forma inovadora e eletrizante. A cada página, o mistério se intensifica, envolvendo o leitor numa trama de horror surpreendente, indicada para aqueles com estômago forte.

Sobre  autor: Brian McGreevy foi criado em Pennsylvania onde abandonou o ensino médio na nona série por “diferenças criativas”.

Enquanto revisava  Hemlock Grove,  McGreevy trabalhou como roteirista freelancer, período no qual apenas um projeto em que ele trabalhou entrou em produção. Frustrado com a indústria cinematográfica e sentindo a migração de audiências para serviços de streaming, McGreevy vendeu seu manuscrito para a Netflix em 2011, que foi adaptado em uma série original de mesmo nome, que durou três temporadas.

McGreevy fez parceria com o ex-colega de classe de Michener, Philipp Meyer, para transformar o romance da série de novelas de Meyer,  The Son,  em uma série para a AMC. Em 2015, ele lançou uma novela digital chamada  Desire  definida antes dos eventos de  Hemlock Grove.  Seu segundo romance,  The Lights  (Rarebird, 2017) é um exame de amor e arte inspirado em sua experiência em Austin.

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

 

Confira as nossas resenhas: Surpreendente!

Surpreendente paralelo entre a literatura, o cinema e a vida

I Por Ligia Borges

I 26 de março de 2018

Tem uma frase que faz parte do enredo do filme “ O fabuloso destino de Amelie Poulain” que diz mais ou menos o seguinte:  “ são tempos difíceis para os sonhadores”. Estabelecendo aqui um paralelo entre o cinema e a literatura, me arrisco a dizer que não existiria frase melhor para descrever Pedro, personagem principal da trama de Surpreendente!, do escritor Maurício Gomyde.

Pedro é um cara sonhador, daqueles que acreditam que com o seu jeito doce é capaz de sacudir o mundo. Estudante recém formado em Cinema aos 25 anos, o jovem cineasta sonha em utilizar a sétima arte como instrumento para tocar o coração das pessoas e melhorar a realidade a sua volta.

O rapaz é um otimista nato e vai tentando contagiar todos a sua volta com a sua paixão pelo cinema. Ele sonha em produzir o próprio filme, trabalha numa locadora de vídeos na periferia de São Paulo e promove num cineclube uma sessão de filmes que está quase sempre vazia, mas o desejo de emplacar os seus projetos o movem.  “ Preciso que ela (a dona Rebeca, que é a dona do espaço) continue acreditando na minha teoria de que o cinema, a música boa e a literatura são instrumentos da Santíssima Trindade para salvar o ser humano da derrota como espécie”. (pg.13)

Acontece que como cada um de nós, Pedro traz na bagagem as suas lutas e dilemas internos que vem tentando superar, um deles é a batalha contra uma cegueira degenerativa que contraria os prognósticos da medicina quando se estagna de forma inexplicável.

A questão toda é que a vida não obedece a scripts, o destino não aceita ser roteirizado porque este possui a sua forma própria de escrever os fatos e não abre mão dessa condição para dar voz e passagem a nossos desejos e anseios.  A maior parte dos acontecimentos não está sob nosso controle e é essa reflexão que faz com que essa história seja tão surpreendente. O destino de Pedro vai nos mostrar isso.

E como num roteiro em que a arte imita a vida, as coisas começam a sair do prumo e é, justamente, nesse ponto da história em que devo confessar que comecei a achar o nosso herói  um tanto quanto entediante para não falar outra palavra.

 A narrativa fica mais lenta, amarrada, parece que não deslancha e o leitor é obrigado a se deparar com a teimosia de um personagem que começa a se perder em seu próprio caos e encontra na sua turma de amigos a companhia para mergulhar em uma aventura rumo ao interior do Goiás, numa a viagem a Pirenópolis na qual Pedro tenta encontrar respostas para as suas angústias pessoais e seus amigos acreditam estar diante de um novo roteiro que vai revolucionar a historia do cinema, uma turma de inconsequentes em que começam a fazer um  tanto de bobagens em série. O autor até tenta romantizar um pouco essa busca do personagem e as aventuras da sua turma, mas devo confessar que achei essa parte da narrativa bem cansativa.

Mas a favor da trama, devo dizer que a história é cheia de pequenos detalhes que se conectam e imprimem à narrativa um ritmo de suspense, como se estivéssemos mesmo em um roteiro de cinema.

Enquanto pensava a respeito dessa trama e sobre a construção desses personagens, volto a traçar um paralelo entre a sétima (o cinema) e a sexta (a literatura) arte, em que me vem à mente uma frase atribuída a Chico Xavier que diz o seguinte, “a vida nem sempre segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser”.

E assim fiquemos com as lições que os personagens nos ensinam, eles sempre nos ensinam.

  “ A vida é complexa demais para ser esperada assim, como uma iluminação divina que vai bater à porta e entregar de bandeja todas as respostas. Pois, para seu governo, afirmo com todas as letras que essa encomenda nunca será entregue embalada para presente. Você precisa ir até ela.” (pg. 134). Essa frase é de Fit, o melhor amigo de Pedro.

 “ Aqui começa o maior filme de todos os tempos sobre as chances que o mundo coloca na vida das pessoas. Que as lições sejam aprendidas e voltemos milhões de vezes melhores do que quando partimos. Apenas os fortes sobrevivem, porque, mesmo a estrada sendo longa, já dizia o poeta: “Quem tem um porquê, enfrenta qualquer como.” ( pg. 146). Essa frase é de Cristal, a garota que na história lhe desperta um novo olhar para a vida.

Título: Surpreendente!

Autor: Maurício Gomyde

Editora: Intrínseca

Páginas: 272

Sinopse Oficial:

Aos 25 anos, recém-formado, Pedro está convencido de que é um sujeito muito especial, que tem a missão de usar o cinema como instrumento para melhorar o mundo. Diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, ele contraria a lógica da medicina quando a perda de sua visão estaciona de forma inexplicável. Enquanto comanda o último cineclube de São Paulo e trabalha em uma videolocadora da periferia, Pedro planeja seu próximo filme, a obra que vai consagrá-lo. E, para animar as coisas, conhece a intrigante Cristal, uma ruivinha decidida, garçonete e estudante de física nuclear, que mexe com seu coração.

A perspectiva idealista de Pedro, porém, sofre sérios abalos. Atormentado por um segredo, ele parte com os amigos Fit, Mayla e Cristal numa longa viagem até Pirenópolis, em Goiás, a bordo de um Opala envenenado. Com câmeras nas mãos e espírito de aventura, a equipe técnica improvisada está disposta a usar toda a sua criatividade na filmagem feita na estrada ao sabor de encontros inesperados e de sentimentos imprevisíveis. E o jovem cineasta descobre que, quando o destino foge do script, nada supera o apoio de grandes amigos.

Sobre o autor:

Maurício Gomyde nasceu em São Paulo e desde os três anos de idade vive em Brasília – “disparado a cidade mais bonita do mundo”. Surpreendente!  é seu sexto romance. Além de escritor, ele também é compositor e baterista.

Confira as nossas resenhas: Eu sou a lenda.

Um náufrago ilhado por vampiros

| Por C.J. Fernandes

|12 de março de 2018

Lembro de estar sem sono em uma madrugada dessas e ligar a TV na rede Globo e assistir, na sessão Corujão (nem sei se ainda existe), um filme em que um homem vivia aparentemente sozinho no planeta e tinha vampiros (ou monstros, ou zumbis, nem sei o que eles eram!) como vizinhos. Décadas depois soube que uma adaptação daquele filme sairia de novo, agora com o nome de sua obra original (sim, era baseado em  um livro!!) e estrelado pelo astro do cinema Will Smith. Imediatamente lembrei daquela sessão de filme na madrugada durante a minha adolescência. Assisti à nova adaptação e fiquei curioso em relação ao livro, até porque Stephen King e George A. Romero já haviam declarado que esta foi uma obra que os influenciou em suas carreiras. Um é o mestre do terror e outro o mestre dos zumbis.  Só isso.

Na verdade, existem três adaptações para a obra de Richard Matheson e elas, pelo menos das duas que assisti, não têm muita fidelidade com o livro. Isso é normal em adaptações audiovisuais, mas aqui a diferença realmente é grande. Como a resenha é sobre o livro, vamos a ela!

Robert Neville é o único ser humano comum na Terra após uma doença transformar os demais  em vampiros. Ao que tudo indica ele é imune e não se torna um mesmo sendo mordido. O livro mostra a rotina de Neville, a interação com os vampiros que o cercam e as teorias para o porquê daquelas pessoas virarem vampiros e terem fraquezas por conta do alho, propagação da praga e aversão a crucifixos (e se um mulçumano fosse vampiro?).

Um dos destaques do livro é justamente sobre as teorias e investigações científicas que ele cria para pesquisar a origem e as características dos vampiros. Para a época, o livro foi escrito em 1954, e até para hoje, poucos foram as obras vampirescas que criam uma teoria acessível sobre a origem dos sanguessugas. Além de divertidas e razoavelmente possíveis , essas pesquisas fazem também com que Neville tenha dias menos tediosos o que dá ritmo e propósito à obra.

Outro destaque fica por conta de uma inversão  da típica história de vampiros. Em uma história tradicional, vemos uma criatura da sombras lendária, solitária ou com alguns semelhantes e vassalos, chegar a uma cidade, aterrorizando a ela e aos seus habitantes que até então tinham uma vida comum. Aqui é o oposto. O mundo é tomado por vampiros e Neville é o único sobrevivente (um náufrago)  que mora em uma casa bem guardada (a sua ilha) rodeado por vampiros . Aqui, ele é a lenda!

O livro tem uma diagramação muito boa, mesmo tornando um pouco mais gordinho, a sua leitura é rápida e fluída. Entretanto, não é um livro intenso, a leitura pode até não agradar aqueles que gostam de um ritmo mais acelerado, embora nas últimas páginas o autor dê um novo sentido a Neville aumentando a intensidade da trama até o seu desfecho lendário.

Diferente de outros livros, há uma sessão extra no final contendo um estudo universitário sobre a obra e uma entrevista com o autor, Richard Matheson, que faleceu em 2013. Fiquei curioso para conhecer outras obras dele, algumas estão na minha lista para os próximos anos (2018 está fechado) entre elas fiquei curioso com: Em algum lugar no passado, Amor além da vida, O incrível homem que encolheu e A casa infernal (todos já adaptados para o cinema).

 

Título: Eu sou a lenda

Autor: Richard Matheson

Editora: Aleph

Páginas: 336

Sinopse oficial: Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso… Eu sou a lenda, é considerado um dos maiores clássicos do horror e da ficção científica, tendo sido adaptado para o cinema três vezes.

Sobre  autor: Richard Matheson nasceu em 1926 em New Jersey e é considerado um dos principais nomes da ficção científica, da fantasia e do terror. Suas obras já influenciaram grandes nomes da literatura como Stephen King, Anne Rice e Harlan Ellison.

Matheson roteirizou episódios para o The Twilight Zone e Star Trek, adaptou as obras de Edgar Allan Poe para o cinema e escreveu o primeiro trabalho para TV de Steven Spielberg. Além disso, teve muitos trabalhos adaptados para o cinema, como Eu Sou a Lenda, O Incrível Homem que Encolheu, Em Algum Lugar do Passado e Amor Além da Vida.

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

Confira as nossas resenhas: Extraordinário

Extraordinário manifesto a favor da gentileza!

I Por Ligia Borges

I 5 de março de 2018

Gostei muito desse livro. Gostei de tal forma que tive dificuldade para falar sobre ele. É que depois do lançamento do filme tanto já se falou sobre Extraordinário que me pego pensando: “o que eu poderia falar de novo? O que poderia dizer para te convencer a ver esse filme ou a ler a história de August Pullman, o nosso Auggie”.

Ao contrário do que costumo fazer, dessa vez assisti ao filme primeiro que diga-se de passagem foi sucesso de bilheteria.  Eu achei o filme maravilhoso, saí do cinema com uma vontade imensa de comprar o livro e tê-lo em minha estante. E uma coisa extraordinária aconteceu, alguns dias depois não é que ganhei ele de presente!?

Confesso que acho complicada essa relação livro versus filme. Nem sempre as adaptações funcionam bem, geralmente, uma das partes deixa a desejar, no caso a segunda a ser lida ou vista. Apesar de, na maior parte das vezes, a decepção ser maior com filme – até mesmo porque é difícil competir com a imaginação –, o contrário, é raro, mas também pode acontecer de você gostar do filme e se decepcionar com o livro. Não foi o caso. Em Extraordinário, o melhor aconteceu: terminei a leitura e a achei maravilhosa também, parabéns aos roteiristas porque a adaptação ficou sensacional.

Filme baseado no livro Extraordinário de R. J. Palácio foi sucesso de bilheteria
Filme baseado no livro Extraordinário de R. J. Palácio foi sucesso de bilheteria

Tanto o filme quanto o livro conseguiram nos contagiar com a história de vida de um garotinho forte que nos mostra que a essência é superior a qualquer aparência. Essa é uma história de empatia, compaixão, aceitação e gentileza. É também uma história que faz com que a gente volte a ser criança e se identifique com muitos das dificuldades vividas por Auggie. Afinal quem de nós aí não teve as suas angústias na escola porque era tímido, ou porque era” popular” demais, ou porque era ” cê-dê-efe” ou porque tinha alguma deficiência. Dificuldades fazem parte da vida, mas Auggie nos mostra que não importa o tamanho da barreira que nos é imposta, ninguém tem o direito de nos limitar.

Esse é um livro de muitas histórias, muitas lições. É uma obra também sobre o valor da amizade, a importância dos amigos, nossos companheiros de jornada. Aqui eu destaco os muitos ensinamentos trazidos pelos amigos de Auggie: Jack Will e Summer. O livro nos mostra que amigos também erram, mas compreender que errou, pedir desculpa e construir uma nova relação também é uma lição sensacional trazida pelo livro. Durante a leitura, tomei a liberdade de grifar alguns trechinhos que chamaram a minha atenção. Vou compartilhar abaixo com vocês para que pensemos juntos a respeito disso tudo e possamos ser melhores em nossas relações cotidianas:

“ Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”

“ Não é tudo um acaso, se fosse, o universo nos abandonaria à própria sorte. E o universo não faz isso. Ele cuida das suas criações mais frágeis de formas que não vemos …talvez seja uma loteria, mas o universo deixa tudo certo no final. O universo cuida de todos os seus pássaros.”

“Pensando bem, não sei por que fiquei tão estressado com isso. É engraçado como às vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante.”

“ Porque não basta ser gentil. Devemos ser mais gentis do que precisamos. Adoro essa frase, essa ideia, porque ela me lembra que carregamos conosco, como seres humanos, não apenas a capacidade de ser gentil, mas a opção pela gentileza…”

Por fim, queria dizer que essa é uma história que deve ser lida e vista por crianças e adultos.

Título: Extraordinário  

Autor: R.J. Palácio  

Editora: Intrínseca

 Páginas: 320  

Sinopse Oficial:

“Extraordinário” é um livro que conquistou diversos públicos e foi adaptado para o cinema ainda em 2017! Aproveite para ler o livro e conhecer essa história inteligente, sensível e leve que traz mensagens sutis e humanas, deixando uma verdadeira lição de vida sobre respeito e amor ao próximo. “Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo” August Pullman (Extraordinário)

Não julgue um menino pela cara

Não existe nome mais adequado para este livro: “Extraordinário”. De leitura dinâmica, prazerosa e envolvente, “Extraordinário” conta a história de August Pullman, o Auggie, uma criança que nasceu com uma séria síndrome genética que o deixou com deformidades faciais, fazendo com que ele passasse por diversas cirurgias e complicações médicas ao longo dos seus poucos anos de vida. Auggie foi educado em casa até os 10 anos, quando começou a frequentar o quinto ano em uma escola de verdade. Ser o aluno novo não é fácil, mas com um rosto tão diferente pode ser ainda mais difícil! Auggie vai ter que convencer seus colegas do colégio particular de Nova York que, apesar de sua aparência diferente, ele é um menino igual a todos os outros.

Sobre a autora: Foi diretora de arte e designer gráfica de uma grande editora por mais de vinte anos, até estrear na literatura com Extraordinário. Mora em Nova York com o marido, os dois filhos e dois cachorros. Também é autora de 365 dias extraordinários, Auggie & eu, Diário extraordinário e Somos todos extraordinários.

Confira as nossas resenhas: Carrie, a estranha

Ser estranha é errado?

| Por C.J. Fernandes

| 26 de fevereiro de 2018

Lendo o penúltimo livro da minha coleção de Stephen King (falta o Dr Sono), percebi que até agora os seus livros têm o mesmo antagonista, um monstro que tem várias faces, mas está lá sempre presente, fazendo as mesmas maldades, porém com suas diversas máscaras que quase sempre passam despercebidos. Sobre isso falaremos mais tarde.

A história situa-se na cidade de Chamberlain, estado do Maine. Margaret White, uma fanática religiosa, cria sozinha a sua filha Carrie, fruto do ” seu pecado” com o seu ex-marido. Sob a sua tutela, a menina tem uma vida privada do mundo exterior (praticamente ela vai da escola pra casa e da casa pra escola), não tem amigos, e , entre as suas habilidades, sabe costurar, rezar, apanha da mãe pelos seus pecados (isso não é beeem uma habilidade) e , (ah!) é telecinética. Isso mesmo! Ela tem telecinésia, que é a capacidade de mover objetos pela força da mente. Desde a sua infância, ela possui este dom, embora se aflore com o tempo, em especial após a sua menarca. Não sabe o que é isso? Carrie também não. Sua mãe vive num mundo de pecados tão particular que até a menstruação é um e, por isso, nunca explicou a filha o que era. Aliás qualquer coisa que ela faça é um ato pecaminoso, ela apanha, apanha, apanha e depois deve rezar dentro de um armário que a mãe montou,  uma espécie de altar peculiar.

Para não entrar em detalhes, logo no início vemos como ela sofre com as colegas da escola e, por isso, uma delas sente pena e tenta se redimir pedindo que o namorado a leve para o baile de primavera no lugar dela. Grande erro Sue, grande erro.

Difícil alguém não ter assistido a adaptação deste livro (foram três filmes!). Podem até não ter assistido a sua sequência sem sentido (Carrie 2, pra quê?), mesmo assim não entrarei em detalhes sobre a trama que tem seu ápice no baile escolar.

Este foi o livro que alavancou a carreira de King. Sendo um dos primeiros , e mais curtos,  de seus livros. É normal se dar um crédito pelo seu início de carreira, mas isso não acontece aqui, pois King mostra uma narrativa fluída e envolvente, fazendo com que conheçamos os personagens desta trágica história sem nos cansarmos e chegarmos ao início do fim ( a partir do capítulo 2) tão envolvidos com a trama que, simplesmente, não conseguimos parar de ler até a última página.

Mesmo sendo a primeira obra dele (é a quarta que leio) percebi que todas têm diferentes protagonistas (uma garota telecinética, uma família em crise, um grupo de amigos de infância ou um garoto em uma cadeira de rodas) e um único antagonista. Este não se veste de palhaço, vira lobisomem ou é um hotel assombrado, ele é muito mais perigoso do que todos esses juntos. Atenção para o spoiler: ele é o ser humano.  Em toda obra o(s) personagem(ens) principal(ais) confronta(m) com os seus demônios interiores e exteriores. Estes são seus colegas de escola, mães devotas, pais abusivos, e até padres. O que eles têm em comum? São humanos, com seu egoísmo, orgulho, prepotência e maldades presentes em todos nós, todos nós! O fator sobrenatural está sempre presente também, mas o horror pelo que o protagonista passa pode muito bem ser vivido na vida real, por meio dos nossos medos, da nossa experiência de vida. Quando lemos as suas obras, muitas vezes podemos nos ver enfrentando um lobisomem, um vampiro, um zumbi, isso seria até legal, mas quando vemos as situações de bullying, abusos e humilhações de forma geral, ah, essas sim nos dá um medo danado, pois é algo que pode acontecer conosco ou, mais provavelmente , já aconteceu e não nos traz boas lembranças.

Título: Carrie, a estranha

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Páginas: 199

Sinopse oficial:

Carrie é uma adolescente tímida e solitária. Aos 16 anos, é completamente dominada pela mãe, uma fanática religiosa que reprime todas as vontades e descobertas normais aos jovens de sua idade. Para Carrie, tudo é pecado. Viver é enfrentar todo dia o terrível peso da culpa.

Para os colegas de escola e até para os professores, Carrie é uma garota estranha, incapaz de conviver com os outros. Cada vez mais isolada, ela sofre com o sarcasmo e o deboche dos colegas. No entanto, há um segredo por trás de sua aparência frágil: Carrie tem poderes sobrenaturais, é capaz de mover objetos com a mente.

No dia de sua formatura, Carrie é surpreendida pelo convite de Tommy para a festa – algo que lhe dá a chance de se enxergar de outra forma pela primeira vez. O ato de crueldade que acontece naquele salão, porém, dá início a uma reviravolta cheia de terror e destruição.

Chegou a hora do acerto de contas.

Sobre  autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

Confira as nossas resenhas: Stephen King. A biografia: coração assombrado.

Ao mestre, com carinho (nem tanto)

| Por C.J. Fernandes

| 19 de fevereiro de 2018

Não lembro ao certo quando resolvi ler Stephen King. Acho que foi assistindo alguma resenha, em algum canal do Youtube,  da obra O Iluminado. Comprei o livro pelo Kindle e achei o romance lento. Dei mais uma chance com It e o autor me conquistou. É claro que o fato desse autor ser um dos mais adaptados pelos meios audiovisuais contribuiu para aumentar a minha curiosidade sobre ele e sua carreira. A biografia é completa, fala da história dos pais de King e do seu misterioso nascimento (nem nasceu, mas já criou surpresas!), da sua infância até a vida adulta. Até aí nada demais, até aí. O que muitos não sabem, inclusive este que vos fala, até ler esta biografia, é que King teve uma infância difícil. Aliás não só a infância, mas a vida toda.

Até fazer o sucesso que todos conhecem, King comeu o pão que o palhaço do bueiro amassou. Seu pai foi comprar cigarros (mais tarde ele começou a ler hqs de terror), ele vivia de favores na casa dos parentes (lia e começou a escrever as próprias histórias), quando entrou na faculdade só tinha um par de jeans (lia um livro diferente nos intervalos das aulas e não parou de escrever), concluiu os estudos casado (lendo e escrevendo), já com um filho e sem emprego (não parou de ler e escrever), conseguiu um emprego na lavanderia (escrevia e lia lá), morou num trailer (lá também), teve mais dois filhos  (adivinhem o que ele não parava de fazer?), começou a dar aulas e veio Carrie (calma, não foi o quarto filho).

Carrie (a estranha) foi o primeiro sucesso de Steve (para os íntimos), embora não tenha sido o primeiro que ele escrevera. O trajeto de King não foi diferente de outros autores. Ele lia muito, escrevia mais ainda e tinha vários contos publicados em revistas porém, não emplacara nada significativo até a história da garota telecinética. A biografia narra tanto a carreira profissional quanto pessoal. O destaque é para o seu relacionamento com drogas, com a família e como a sua vida mudou (ou não) depois do sucesso.

Como qualquer autor ou mesmo pessoa que tenha alcançado o sucesso, King não desistiu. Não faltaram adversidades, mas ele seguiu em frente, pelo que amava e pelos que amava (é claro que a esposa Tabitha, teve papel fundamental). Algumas biografias são cruéis e outras nos mostram histórias de superação. Ambas trazem histórias reais e humanas, assim como acontece na vida, e é, justamente, isso o que as tornam tão surpreendentes.

Ficha Técnica

Título: Stephen King. A biografia: coração assombrado.

Autora: Lisa Rogak

Editora: Darkside Books

Páginas: 315

Sinopse oficial:

Longa vida ao Rei. Stephen King completa 70 anos no próximo dia 21 de setembro de 2017 e para celebrar em grande estilo a DarkSide Books está relançando neste mês de aniversário a biografia do mestre numa edição especial para colecionadores.
Stephen King — A Biografia: Coração Assombrado foi um dos primeiros títulos lançados pela DarkSide, em 2013, e a edição original estava esgotada. Mas, como o próprio King diria: às vezes eles voltam! Todos os fantasmas e os segredos do autor de O Iluminado e It: A Coisa são revelados mais uma vez. Aproveite, quem é fã de verdade não pode perder esta nova edição, aprovada pelo mestre, que também comemora os 5 anos da DarkSide Books.

Com 300 milhões de livros vendidos e mais de 50 prêmios por suas obras, Stephen King tornou-se parte da história da cultura pop mundial. Um gênio que produz incessantemente há mais de quatro décadas, King está no Guinness Book como o autor vivo com o maior número de adaptações para o cinema.

Em A Biografia: Coração Assombrado, você vai viajar ao estado do Maine real, onde Stephen King nasceu, e entender de onde veio a inspiração para o universo fantástico de Castle Rock. Descubra quem é o homem por trás do mito.

Nesta obra indicada ao Prêmio Edgar Allan Poe de Melhor Biografia, a jornalista Lisa Rogak nos conduz, com rigor e pesquisa, pelo universo peculiar de Stephen King. Reconstitui sua infância difícil — marcada pelo ausência do pai, que estranhamente se conecta com o Brasil —, revela suas angústias e seus medos mais profundos como autor, resgata os primeiros contatos do jovem King com a escrita e sua luta contra a dependência química.

Sobre a autora: Lisa Rogak é uma autora americana, principalmente de biografias e outros livros de não-ficção . Ela também é escritora freelance.

Sua biografia de Stephen King foi nomeada para um Prêmio Edgar de 2010 para Melhor Trabalho Crítico / Biográfico.

Rogak cresceu em Glen Rock, Nova Jersey e agora mora em New Hampshire .

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

 

Confira as nossas resenhas: Rita Lee, uma autobiografia

Desculpe o auê

 

I Por Ligia Borges

I 12 de fevereiro de 2018

Quando eu ganhei a autobiografia da Rita Lee, confesso que não fiquei lá tão empolgada assim, porque a cantora sempre foi uma figura neutra para mim: não acompanhei a trajetória dos Mutantes, conhecia a Ritinha (depois da leitura me sinto confortável para chamá-la assim) de uma música ou outra, provavelmente, de alguma trilha sonora de novela do horário nobre. Foi mal aê, Rita!

O que mudou então?  Ler a autobiografia da Rita Lee é mergulhar nos bastidores da música brasileira nos idos dos anos 70/80/90, é conhecer um ser humano que viveu intensamente a concretização dessa frase de Caetano, “ a dor e a delícia de ser o que é”. A leitura é um convite a uma conversa franca e divertidíssima, muitas vezes, chocante. Não tem como não se impressionar, não sentir uma vontade imensa de conhecê-la.

E a Rita escritora me surpreendeu muito.  Ela conseguiu explorar com tamanha riqueza o estilo coloquial da narrativa. A impressão que se tem da leitura é que ela está sentada num banquinho ao nosso lado contando todos aqueles casos. Fofa!

Sem pudor ou falsa modéstia, Rita abre o verbo. Fala da relação com seus pais, sua família, traça um retrato muito intimo da sua infância e adolescência. Fala de coisas que deixa qualquer ser humano de cabelo em pé, mas me parece que ela lida com tudo isso com tamanha naturalidade, que a gente avança e percorre as páginas, segue o baile da leitura, sem parar para lamentar os fatos que ocorreram em sua vida.

Defensora dos animais, detestava ver qualquer mal trato aos bichinhos. Fofa! Consciente! A relação de amor com Roberto Carvalho é uma coisa linda de se ver, uma parceria belíssima, inspiração para diversas composições, “desculpe o auê, eu não queria magoar você” surgiu após uma briga do casal. A gente pensa: que bom Rita que, em meio a esse liquidificador que você escreveu nas páginas da vida e relatou para a gente aqui nessa biografia, você encontrou um parceiro desses, tem sua família que te acolhe, que são felizes.

“ Estranho ter sido o que fui sendo o que sou hoje. Parece que sempre tive a idade que tenho agora. Aos setenta tem-se a impressão de que a vida passou rápido demais, escrevendo a própria biografia, percebe-se que foi longa pra caramba. Vivi intensamente infância, juventude e maturidade, a fase velhice é novidade para mim, apesar de, claro, percebê-la mais familiar do que as anteriores” …

 

Ficha Técnica

Título:  Rita Lee, uma autobiografia

Autor: Rita Lee

Editora:  Globo Livros

Páginas: 296

 

Sinopse Oficial:  

“Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias. Está tudo lá. E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas – e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas… Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado.” Guilherme Samora é jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee.