Confira as nossas resenhas: It

 It, o maior, literalmente, livro do mestre Stephen King

I Por  C.J.Fernandes

I 24 de Outubro de 2017

A primeira impressão é a que fica”, nunca acreditei nesse ditado, ainda bem. O primeiro livro do Sr. King que eu li foi “O Iluminado” e confesso que este ficou abaixo das minhas expectativas. A história demorou para pegar ritmo e terminar o livro foi mais uma questão de honra do que qualquer outra coisa! Embora este texto não seja sobre O Iluminado, estou ressaltando esse fato porque fiquei com medo de ler It, um romance de 1.104 páginas de um autor que, embora famoso e aclamado, não tinha a minha empatia (será que sou normal?). O que de fato me fez ler “It” foi o encorajamento de um amigo e leitor compulsivo que tinha lido esta obra e desistido de “O Iluminado” (e não era nenhum leitor, é daqueles que lê o livro mais de uma vez, daqueles que lê a saga da “Torre Negra”, que King dividiu em sete livros, duas vezes! Eu disse duas vezes!). Com a proximidade do lançamento do filme It resolvi encarar o desafio. Ainda bem (de novo).

O livro tem um núcleo de personagens cativantes desde a primeira página. King é conhecido pela construção de personagens e de cenários de forma minuciosa e sem pressa, dure o tempo que precisar. Em “It” não é diferente, embora ele mantenha um ritmo constante e mais acelerado do que o livro anterior que citei no início desta resenha, há sutis quebras de ritmo, mas nada que freie a expectativa do leitor. É fato que Pennywise, o palhaço dançarino, seja o grande vilão do livro, porém, somos apresentados a inimigos reais da juventude: o preconceito, o racismo, o machismo, a violência contra mulher, os relacionamentos abusivos e outras formas de bullying tão presentes nessa fase. Ah, não podemos esquecer de Henry Bowers, o esteriótipo de valentão repetente de ano que todos nós já tivemos a oportunidade de esbarrar por aí. Esses momentos de confrontos reais, assim como a união do Clube dos Otários (os sete personagens principais do livro) é o que nos fazem persistir em ler mais de 1.000 páginas de história. Certamente que estamos lá por conta do terror também, mas não é algo realmente aterrorizante, quando visto da perspectiva de um adulto é claro, mas isso não diminui os momentos de tensão e a expectativa para o desfecho da história.

Não é spoiler falar que eles se reencontram 27 anos depois para o embate final com “A coisa”. Portanto, sabemos mais sobre o que aconteceu com eles após a infância e como eles estão agora, adultos. O livro brinca com o tempo, hora narrando as aventuras infantis do clube, hora mostrando a reunião deles enquanto adultos. E isso vai até o final, de forma não linear. O que aumenta a ansiedade por saber mais sobre eles, e sobre “A coisa”. Ah, “A coisa”, a polêmica número um do livro. Mesmo sabendo que é uma obra de ficção muitos criticam a origem do “Palhaço dançarino”, assim como outros personagens apresentados na trama. Às vezes criamos uma expectativa muito material, mundana para racionalizar a origem de tudo, mesmo lendo ficção científica. Há pessoas que criticam a origem de Pennywise, eu entendo, mas não vi, ou li, nada que fosse muito “viajandão”. Se pararmos para analisar, de forma fria e calculista, a própria origem do universo é algo até hoje inexplicável e incerto para muitos. Há outras polêmicas no livro que considero mais pertinentes. Uma em especial, infelizmente, sou daqueles contra spoilers, mas deixo registrado que a tal cena polêmica mais criticada da obra seja, na minha modesta opinião, um dos poucos momentos desnecessários do livro, pois todos os capítulos fazem sentido ao final da leitura completa, por mais despretensiosos que possam parecer.

Se você assistiu ao primeiro filme de 2017, aguarda a sua continuação para 2019, e está preocupado com os possíveis spoilers que o filme trará, não se preocupe. Como a maioria das adaptações audiovisuais de livros, há grandes alterações na história original, o que permite a leitura desta obra-prima do medo sem pressa. A leitura contínua e ininterrupta, por mais demorada que seja, ajudará a torná-lo mais um membro do Clube dos Otários (aliás, quem nunca teve o seu clubinho?), criando uma relação de amizade com aquelas sete crianças e deixando uma saudade imensa assim que lemos o último parágrafo.

Título: It, a coisa.

Autor: Stephen King.

Editora: Suma de letras.

Páginas: 1.104

Sinopse oficial: Durante as férias de 1958, em uma pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança… e do medo. O mais profundo e tenebroso medo.

Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permaneceu em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry.

O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Neste clássico de Stephen King, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

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