Confira as nossas resenhas: Carrie, a estranha

Ser estranha é errado?

| Por C.J. Fernandes

| 26 de fevereiro de 2018

Lendo o penúltimo livro da minha coleção de Stephen King (falta o Dr Sono), percebi que até agora os seus livros têm o mesmo antagonista, um monstro que tem várias faces, mas está lá sempre presente, fazendo as mesmas maldades, porém com suas diversas máscaras que quase sempre passam despercebidos. Sobre isso falaremos mais tarde.

A história situa-se na cidade de Chamberlain, estado do Maine. Margaret White, uma fanática religiosa, cria sozinha a sua filha Carrie, fruto do ” seu pecado” com o seu ex-marido. Sob a sua tutela, a menina tem uma vida privada do mundo exterior (praticamente ela vai da escola pra casa e da casa pra escola), não tem amigos, e , entre as suas habilidades, sabe costurar, rezar, apanha da mãe pelos seus pecados (isso não é beeem uma habilidade) e , (ah!) é telecinética. Isso mesmo! Ela tem telecinésia, que é a capacidade de mover objetos pela força da mente. Desde a sua infância, ela possui este dom, embora se aflore com o tempo, em especial após a sua menarca. Não sabe o que é isso? Carrie também não. Sua mãe vive num mundo de pecados tão particular que até a menstruação é um e, por isso, nunca explicou a filha o que era. Aliás qualquer coisa que ela faça é um ato pecaminoso, ela apanha, apanha, apanha e depois deve rezar dentro de um armário que a mãe montou,  uma espécie de altar peculiar.

Para não entrar em detalhes, logo no início vemos como ela sofre com as colegas da escola e, por isso, uma delas sente pena e tenta se redimir pedindo que o namorado a leve para o baile de primavera no lugar dela. Grande erro Sue, grande erro.

Difícil alguém não ter assistido a adaptação deste livro (foram três filmes!). Podem até não ter assistido a sua sequência sem sentido (Carrie 2, pra quê?), mesmo assim não entrarei em detalhes sobre a trama que tem seu ápice no baile escolar.

Este foi o livro que alavancou a carreira de King. Sendo um dos primeiros , e mais curtos,  de seus livros. É normal se dar um crédito pelo seu início de carreira, mas isso não acontece aqui, pois King mostra uma narrativa fluída e envolvente, fazendo com que conheçamos os personagens desta trágica história sem nos cansarmos e chegarmos ao início do fim ( a partir do capítulo 2) tão envolvidos com a trama que, simplesmente, não conseguimos parar de ler até a última página.

Mesmo sendo a primeira obra dele (é a quarta que leio) percebi que todas têm diferentes protagonistas (uma garota telecinética, uma família em crise, um grupo de amigos de infância ou um garoto em uma cadeira de rodas) e um único antagonista. Este não se veste de palhaço, vira lobisomem ou é um hotel assombrado, ele é muito mais perigoso do que todos esses juntos. Atenção para o spoiler: ele é o ser humano.  Em toda obra o(s) personagem(ens) principal(ais) confronta(m) com os seus demônios interiores e exteriores. Estes são seus colegas de escola, mães devotas, pais abusivos, e até padres. O que eles têm em comum? São humanos, com seu egoísmo, orgulho, prepotência e maldades presentes em todos nós, todos nós! O fator sobrenatural está sempre presente também, mas o horror pelo que o protagonista passa pode muito bem ser vivido na vida real, por meio dos nossos medos, da nossa experiência de vida. Quando lemos as suas obras, muitas vezes podemos nos ver enfrentando um lobisomem, um vampiro, um zumbi, isso seria até legal, mas quando vemos as situações de bullying, abusos e humilhações de forma geral, ah, essas sim nos dá um medo danado, pois é algo que pode acontecer conosco ou, mais provavelmente , já aconteceu e não nos traz boas lembranças.

Título: Carrie, a estranha

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Páginas: 199

Sinopse oficial:

Carrie é uma adolescente tímida e solitária. Aos 16 anos, é completamente dominada pela mãe, uma fanática religiosa que reprime todas as vontades e descobertas normais aos jovens de sua idade. Para Carrie, tudo é pecado. Viver é enfrentar todo dia o terrível peso da culpa.

Para os colegas de escola e até para os professores, Carrie é uma garota estranha, incapaz de conviver com os outros. Cada vez mais isolada, ela sofre com o sarcasmo e o deboche dos colegas. No entanto, há um segredo por trás de sua aparência frágil: Carrie tem poderes sobrenaturais, é capaz de mover objetos com a mente.

No dia de sua formatura, Carrie é surpreendida pelo convite de Tommy para a festa – algo que lhe dá a chance de se enxergar de outra forma pela primeira vez. O ato de crueldade que acontece naquele salão, porém, dá início a uma reviravolta cheia de terror e destruição.

Chegou a hora do acerto de contas.

Sobre  autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

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