Confira as nossas resenhas: Amaldiçoado

Saber a verdade é um dom ou uma maldição?

| Por C.J. Fernandes

|24 de setembro de 2018

 

 

Esta obra é  daquelas que furam a fila por algum motivo. Desta vez foi a recomendação de um amigo que tinha falado muito bem deste autor, Joe Hill. O nome dele ficou na minha cabeça até eu lembrar de onde o conhecia. Ele é filho do autor Stephen King e, por motivos óbvios, resolveu usar o pseudônimo de um famoso compositor sueco para ter crédito no mercado literário como um ótimo escritor e não apenas como filho de um dos maiores autores de ficção e terror da atualidade.

Como toda primeira obra de um autor que leio, não espero muito. A expectativa deve aumentar com o  decorrer das páginas quando vejo se o livro é capaz de me prender ou não. . Diferente de muitos outros títulos,  esta história já tem os personagens estabelecidos na sua cidade, o que é novo (talvez não tão novo assim em histórias de terror) é um assassinato misterioso de uma jovem (só falta ser ruiva, bem, não falta mais) cujo principal acusado é o protagonista da história que jura inocência (algo típico também). O que surge nas primeiras páginas são os chifres também, ah os chifres! Voltaremos neles mais tarde.

A história se passa na cidade norte-americana  de Gideão, onde a rica família Perrish tem a sua fama negativamente alavancada pela acusação do seu filho mais novo, Ignacius, Ig, ter assassinado a sua namorada de longa data, Merrin, após uma discussão em uma lanchonete. Um belo dia Ig acorda com os chifres e a sua vida, que já parecia estar ruim o suficiente, vira um inferno, quase literalmente. Voltemos aos chifres.

Além de querer saber quem realmentematou Merrin (é claro), a curiosidade é grande para saber o porquê dos chifres aparecerem . Eles acompanham Ig por toda a trama mostrando os seus poderes, como, por exemplo, todos que falam com o protagonista, falam a verdade, indubitavelmente. O que seria um dom, parece se tornar uma maldição. A sinceridade pode machucar e até, literalmente, matar.

Além das situações inusitadas que Ig passa, as pessoas próximas a ele, não parecem querer tanto o seu bem assim. Todos os moradores de Gideão que cruzam o seu caminho (chifres) mostram seus verdadeiros demônios internos e seus desejos nada nobres.  Até aí tudo bem, mas apenas situações inesperadas e até engraçadas não vão conquistar este leitor aqui, mas (mas) quando descobrimos quem matou Merrin (e isso não é no final do livro não viu!?) e acessamos as suas lembranças, aí o livro começa!

Um bom livro deve despertar sentimentos em quem o lê, sejam eles bons (alegria, amor, felicidade…) ou ruins (raiva, ódio, tristeza…) e Amaldiçoado consegue com êxito! Atrevo- me a  dizer que este é um dos antagonistas mais odiados que eu já li!! Infelizmente, não posso dar spoiler aqui, mas os sentimentos que o personagem me transmitiu não foram nada nobres, a ponto de querer parar de ler em algumas  partes nas quais me senti desconfortável.

A minha grande expectativa era saber como seria o final do antagonista, se a origem dos chifres seria bem justificada e como estaria o protagonista no final disso tudo. Posso dizer que tudo foi respondido, se bem ou mal, você terá que ler o livro e tirar as suas próprias conclusões :).

P.S.: Logo após a leitura, fui assistir ao filme, estrelado pelo eterno Harry Potter, Daniel Radcliffe, e confesso que não me animei muito com adaptação.

Título: Amaldiçoado

Autor: Joe Hill

Editora: Arqueiro

Páginas: 320

Sinopse oficial

Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida.

Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro.

Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Além disso, descobre algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis.

Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora.

Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.

Sobre  autor: Joe Hill já ganhou diversos prêmios por seus contos, incluindo dois Bram Stoker, o mais importante da literatura de horror. É autor de A estrada da noite e O pacto e da coletânea de contos Fantasmas do século XX, todos publicados no Brasil pela Arqueiro.

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