Confira as nossas resenhas: Amaldiçoado

Saber a verdade é um dom ou uma maldição?

| Por C.J. Fernandes

|24 de setembro de 2018

 

 

Esta obra é  daquelas que furam a fila por algum motivo. Desta vez foi a recomendação de um amigo que tinha falado muito bem deste autor, Joe Hill. O nome dele ficou na minha cabeça até eu lembrar de onde o conhecia. Ele é filho do autor Stephen King e, por motivos óbvios, resolveu usar o pseudônimo de um famoso compositor sueco para ter crédito no mercado literário como um ótimo escritor e não apenas como filho de um dos maiores autores de ficção e terror da atualidade.

Como toda primeira obra de um autor que leio, não espero muito. A expectativa deve aumentar com o  decorrer das páginas quando vejo se o livro é capaz de me prender ou não. . Diferente de muitos outros títulos,  esta história já tem os personagens estabelecidos na sua cidade, o que é novo (talvez não tão novo assim em histórias de terror) é um assassinato misterioso de uma jovem (só falta ser ruiva, bem, não falta mais) cujo principal acusado é o protagonista da história que jura inocência (algo típico também). O que surge nas primeiras páginas são os chifres também, ah os chifres! Voltaremos neles mais tarde.

A história se passa na cidade norte-americana  de Gideão, onde a rica família Perrish tem a sua fama negativamente alavancada pela acusação do seu filho mais novo, Ignacius, Ig, ter assassinado a sua namorada de longa data, Merrin, após uma discussão em uma lanchonete. Um belo dia Ig acorda com os chifres e a sua vida, que já parecia estar ruim o suficiente, vira um inferno, quase literalmente. Voltemos aos chifres.

Além de querer saber quem realmentematou Merrin (é claro), a curiosidade é grande para saber o porquê dos chifres aparecerem . Eles acompanham Ig por toda a trama mostrando os seus poderes, como, por exemplo, todos que falam com o protagonista, falam a verdade, indubitavelmente. O que seria um dom, parece se tornar uma maldição. A sinceridade pode machucar e até, literalmente, matar.

Além das situações inusitadas que Ig passa, as pessoas próximas a ele, não parecem querer tanto o seu bem assim. Todos os moradores de Gideão que cruzam o seu caminho (chifres) mostram seus verdadeiros demônios internos e seus desejos nada nobres.  Até aí tudo bem, mas apenas situações inesperadas e até engraçadas não vão conquistar este leitor aqui, mas (mas) quando descobrimos quem matou Merrin (e isso não é no final do livro não viu!?) e acessamos as suas lembranças, aí o livro começa!

Um bom livro deve despertar sentimentos em quem o lê, sejam eles bons (alegria, amor, felicidade…) ou ruins (raiva, ódio, tristeza…) e Amaldiçoado consegue com êxito! Atrevo- me a  dizer que este é um dos antagonistas mais odiados que eu já li!! Infelizmente, não posso dar spoiler aqui, mas os sentimentos que o personagem me transmitiu não foram nada nobres, a ponto de querer parar de ler em algumas  partes nas quais me senti desconfortável.

A minha grande expectativa era saber como seria o final do antagonista, se a origem dos chifres seria bem justificada e como estaria o protagonista no final disso tudo. Posso dizer que tudo foi respondido, se bem ou mal, você terá que ler o livro e tirar as suas próprias conclusões :).

P.S.: Logo após a leitura, fui assistir ao filme, estrelado pelo eterno Harry Potter, Daniel Radcliffe, e confesso que não me animei muito com adaptação.

Título: Amaldiçoado

Autor: Joe Hill

Editora: Arqueiro

Páginas: 320

Sinopse oficial

Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida.

Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro.

Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Além disso, descobre algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis.

Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora.

Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.

Sobre  autor: Joe Hill já ganhou diversos prêmios por seus contos, incluindo dois Bram Stoker, o mais importante da literatura de horror. É autor de A estrada da noite e O pacto e da coletânea de contos Fantasmas do século XX, todos publicados no Brasil pela Arqueiro.

Confira as nossas resenhas: O Quinze

O sertão de Queiroz

 

 I Por Ligia Borges

I 21 de junho de 2018

 

Antes de partirmos para uma análise, propriamente, de O Quinze, de Rachel de Queiroz, existem algumas curiosidades que eu gostaria de ressaltar. Vocês sabiam que esse livro foi escrito pela autora quando ela tinha 20 aninhos. Sim, “ com vinte anos de idade apenas, uma quase desconhecida escritora provinciana projetava-se na vida literária do país agitando a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca”, dizia a crítica da época, ali pelos idos de 1930, quando o romance foi lançado.

E nessa hora é inevitável a gente fazer a comparação: o que eu estava fazendo aos vinte anos mesmo? Vá lá que nessa época eu já gostava de ler e escrever, mas certamente nem passava pela minha cabeça lançar um romance literário. E não estamos falando, certamente, de qualquer romance, mas de um texto com qualidade técnica e de um relato bastante humano e realista de um grave problema social.

Uma outra curiosidade que eu deixo aqui é o meu fascínio pelo sertão, pelo regionalismo e pelo romance de fundo social. “ Por ser de lá do sertão, do cerrado, lá do interior do mato, da caatinga do roçado…”, tomei a liberdade, a licença poética (adoro essa expressão), de catar esse trechinho de o ’ Lamento do Sertanejo’ – uma composição que não sei bem ao certo se é de Dominguinhos ou de Gilberto Gil ou dos dois juntos – só para ilustrar aqui a minha ligação com o sertão. Continue reading “Confira as nossas resenhas: O Quinze”

Confira as nossas resenhas: Extraordinário

Extraordinário manifesto a favor da gentileza!

I Por Ligia Borges

I 5 de março de 2018

Gostei muito desse livro. Gostei de tal forma que tive dificuldade para falar sobre ele. É que depois do lançamento do filme tanto já se falou sobre Extraordinário que me pego pensando: “o que eu poderia falar de novo? O que poderia dizer para te convencer a ver esse filme ou a ler a história de August Pullman, o nosso Auggie”.

Ao contrário do que costumo fazer, dessa vez assisti ao filme primeiro que diga-se de passagem foi sucesso de bilheteria.  Eu achei o filme maravilhoso, saí do cinema com uma vontade imensa de comprar o livro e tê-lo em minha estante. E uma coisa extraordinária aconteceu, alguns dias depois não é que ganhei ele de presente!?

Confesso que acho complicada essa relação livro versus filme. Nem sempre as adaptações funcionam bem, geralmente, uma das partes deixa a desejar, no caso a segunda a ser lida ou vista. Apesar de, na maior parte das vezes, a decepção ser maior com filme – até mesmo porque é difícil competir com a imaginação –, o contrário, é raro, mas também pode acontecer de você gostar do filme e se decepcionar com o livro. Não foi o caso. Em Extraordinário, o melhor aconteceu: terminei a leitura e a achei maravilhosa também, parabéns aos roteiristas porque a adaptação ficou sensacional.

Filme baseado no livro Extraordinário de R. J. Palácio foi sucesso de bilheteria
Filme baseado no livro Extraordinário de R. J. Palácio foi sucesso de bilheteria

Tanto o filme quanto o livro conseguiram nos contagiar com a história de vida de um garotinho forte que nos mostra que a essência é superior a qualquer aparência. Essa é uma história de empatia, compaixão, aceitação e gentileza. É também uma história que faz com que a gente volte a ser criança e se identifique com muitos das dificuldades vividas por Auggie. Afinal quem de nós aí não teve as suas angústias na escola porque era tímido, ou porque era” popular” demais, ou porque era ” cê-dê-efe” ou porque tinha alguma deficiência. Dificuldades fazem parte da vida, mas Auggie nos mostra que não importa o tamanho da barreira que nos é imposta, ninguém tem o direito de nos limitar.

Esse é um livro de muitas histórias, muitas lições. É uma obra também sobre o valor da amizade, a importância dos amigos, nossos companheiros de jornada. Aqui eu destaco os muitos ensinamentos trazidos pelos amigos de Auggie: Jack Will e Summer. O livro nos mostra que amigos também erram, mas compreender que errou, pedir desculpa e construir uma nova relação também é uma lição sensacional trazida pelo livro. Durante a leitura, tomei a liberdade de grifar alguns trechinhos que chamaram a minha atenção. Vou compartilhar abaixo com vocês para que pensemos juntos a respeito disso tudo e possamos ser melhores em nossas relações cotidianas:

“ Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”

“ Não é tudo um acaso, se fosse, o universo nos abandonaria à própria sorte. E o universo não faz isso. Ele cuida das suas criações mais frágeis de formas que não vemos …talvez seja uma loteria, mas o universo deixa tudo certo no final. O universo cuida de todos os seus pássaros.”

“Pensando bem, não sei por que fiquei tão estressado com isso. É engraçado como às vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante.”

“ Porque não basta ser gentil. Devemos ser mais gentis do que precisamos. Adoro essa frase, essa ideia, porque ela me lembra que carregamos conosco, como seres humanos, não apenas a capacidade de ser gentil, mas a opção pela gentileza…”

Por fim, queria dizer que essa é uma história que deve ser lida e vista por crianças e adultos.

Título: Extraordinário  

Autor: R.J. Palácio  

Editora: Intrínseca

 Páginas: 320  

Sinopse Oficial:

“Extraordinário” é um livro que conquistou diversos públicos e foi adaptado para o cinema ainda em 2017! Aproveite para ler o livro e conhecer essa história inteligente, sensível e leve que traz mensagens sutis e humanas, deixando uma verdadeira lição de vida sobre respeito e amor ao próximo. “Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo” August Pullman (Extraordinário)

Não julgue um menino pela cara

Não existe nome mais adequado para este livro: “Extraordinário”. De leitura dinâmica, prazerosa e envolvente, “Extraordinário” conta a história de August Pullman, o Auggie, uma criança que nasceu com uma séria síndrome genética que o deixou com deformidades faciais, fazendo com que ele passasse por diversas cirurgias e complicações médicas ao longo dos seus poucos anos de vida. Auggie foi educado em casa até os 10 anos, quando começou a frequentar o quinto ano em uma escola de verdade. Ser o aluno novo não é fácil, mas com um rosto tão diferente pode ser ainda mais difícil! Auggie vai ter que convencer seus colegas do colégio particular de Nova York que, apesar de sua aparência diferente, ele é um menino igual a todos os outros.

Sobre a autora: Foi diretora de arte e designer gráfica de uma grande editora por mais de vinte anos, até estrear na literatura com Extraordinário. Mora em Nova York com o marido, os dois filhos e dois cachorros. Também é autora de 365 dias extraordinários, Auggie & eu, Diário extraordinário e Somos todos extraordinários.

Confira as nossas resenhas: Carrie, a estranha

Ser estranha é errado?

| Por C.J. Fernandes

| 26 de fevereiro de 2018

Lendo o penúltimo livro da minha coleção de Stephen King (falta o Dr Sono), percebi que até agora os seus livros têm o mesmo antagonista, um monstro que tem várias faces, mas está lá sempre presente, fazendo as mesmas maldades, porém com suas diversas máscaras que quase sempre passam despercebidos. Sobre isso falaremos mais tarde.

A história situa-se na cidade de Chamberlain, estado do Maine. Margaret White, uma fanática religiosa, cria sozinha a sua filha Carrie, fruto do ” seu pecado” com o seu ex-marido. Sob a sua tutela, a menina tem uma vida privada do mundo exterior (praticamente ela vai da escola pra casa e da casa pra escola), não tem amigos, e , entre as suas habilidades, sabe costurar, rezar, apanha da mãe pelos seus pecados (isso não é beeem uma habilidade) e , (ah!) é telecinética. Isso mesmo! Ela tem telecinésia, que é a capacidade de mover objetos pela força da mente. Desde a sua infância, ela possui este dom, embora se aflore com o tempo, em especial após a sua menarca. Não sabe o que é isso? Carrie também não. Sua mãe vive num mundo de pecados tão particular que até a menstruação é um e, por isso, nunca explicou a filha o que era. Aliás qualquer coisa que ela faça é um ato pecaminoso, ela apanha, apanha, apanha e depois deve rezar dentro de um armário que a mãe montou,  uma espécie de altar peculiar.

Para não entrar em detalhes, logo no início vemos como ela sofre com as colegas da escola e, por isso, uma delas sente pena e tenta se redimir pedindo que o namorado a leve para o baile de primavera no lugar dela. Grande erro Sue, grande erro.

Difícil alguém não ter assistido a adaptação deste livro (foram três filmes!). Podem até não ter assistido a sua sequência sem sentido (Carrie 2, pra quê?), mesmo assim não entrarei em detalhes sobre a trama que tem seu ápice no baile escolar.

Este foi o livro que alavancou a carreira de King. Sendo um dos primeiros , e mais curtos,  de seus livros. É normal se dar um crédito pelo seu início de carreira, mas isso não acontece aqui, pois King mostra uma narrativa fluída e envolvente, fazendo com que conheçamos os personagens desta trágica história sem nos cansarmos e chegarmos ao início do fim ( a partir do capítulo 2) tão envolvidos com a trama que, simplesmente, não conseguimos parar de ler até a última página.

Mesmo sendo a primeira obra dele (é a quarta que leio) percebi que todas têm diferentes protagonistas (uma garota telecinética, uma família em crise, um grupo de amigos de infância ou um garoto em uma cadeira de rodas) e um único antagonista. Este não se veste de palhaço, vira lobisomem ou é um hotel assombrado, ele é muito mais perigoso do que todos esses juntos. Atenção para o spoiler: ele é o ser humano.  Em toda obra o(s) personagem(ens) principal(ais) confronta(m) com os seus demônios interiores e exteriores. Estes são seus colegas de escola, mães devotas, pais abusivos, e até padres. O que eles têm em comum? São humanos, com seu egoísmo, orgulho, prepotência e maldades presentes em todos nós, todos nós! O fator sobrenatural está sempre presente também, mas o horror pelo que o protagonista passa pode muito bem ser vivido na vida real, por meio dos nossos medos, da nossa experiência de vida. Quando lemos as suas obras, muitas vezes podemos nos ver enfrentando um lobisomem, um vampiro, um zumbi, isso seria até legal, mas quando vemos as situações de bullying, abusos e humilhações de forma geral, ah, essas sim nos dá um medo danado, pois é algo que pode acontecer conosco ou, mais provavelmente , já aconteceu e não nos traz boas lembranças.

Título: Carrie, a estranha

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Páginas: 199

Sinopse oficial:

Carrie é uma adolescente tímida e solitária. Aos 16 anos, é completamente dominada pela mãe, uma fanática religiosa que reprime todas as vontades e descobertas normais aos jovens de sua idade. Para Carrie, tudo é pecado. Viver é enfrentar todo dia o terrível peso da culpa.

Para os colegas de escola e até para os professores, Carrie é uma garota estranha, incapaz de conviver com os outros. Cada vez mais isolada, ela sofre com o sarcasmo e o deboche dos colegas. No entanto, há um segredo por trás de sua aparência frágil: Carrie tem poderes sobrenaturais, é capaz de mover objetos com a mente.

No dia de sua formatura, Carrie é surpreendida pelo convite de Tommy para a festa – algo que lhe dá a chance de se enxergar de outra forma pela primeira vez. O ato de crueldade que acontece naquele salão, porém, dá início a uma reviravolta cheia de terror e destruição.

Chegou a hora do acerto de contas.

Sobre  autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

Estamos lendo: Os Irmãos Karamázov

Os Irmãos Karamázov

I Por Ligia Borges

I 9 de janeiro de 2018

Sinopse oficial:

Último romance de Fiódor Dostoiévski, ‘Os irmãos Karamázov’ procura representar uma síntese de toda sua produção. O livro chega agora ao público brasileiro em tradução direta do russo. Um livro que busca ser ao mesmo tempo filosófico e policial, trata da conturbada relação entre o devasso Fiódor Karamázov e seus três filhos – Aliócha, ‘puro’ e místico; Ivan, intelectual e atormentado; e Dmitri, orgulhoso e apaixonado.

Ficha técnica:

PESO  1.453 Kg
MARCA Editora 34
I.S.B.N. 9788573264098
REFERÊNCIA 9788573264098
ALTURA 20.50 cm
LARGURA 16.00 cm
PROFUNDIDADE 1.00 cm
NÚMERO DE PÁGINAS 1040
IDIOMA Português
ACABAMENTO Capa dura
VOLUME 2 Volumes
CÓD. BARRAS 9788573264098
NÚMERO DA EDIÇÃO 1
ANO DA EDIÇÃO 2008
PAÍS DE ORIGEM Brasil

 

Confira as nossas resenhas: O evangelho segundo Jesus Cristo

O dia, ou melhor, o livro em que fiz as pazes com Saramago

I Por Ligia Borges

I 6 de novembro de 2017

O Evangelho segundo Jesus Cristo foi publicado em 1991. Dizem que na época Saramago passou a ser malvisto pela Igreja após publicar esta obra que humanizou a figura de Jesus Cristo.

Assim como muita gente, comecei a ler a obra do escritor português José Saramago por um dos seu livros mais famosos e premiado, o Ensaio sobre a Cegueira. Essa obra rendeu ao autor um dos prêmios mais importantes da literatura portuguesa que é o Prêmio Camões, em 1995, e foi adaptada para o cinema pelo brasileiro Fernando Meirelles em 1997. Acontece que na época em que o li, devia ter uns 14 anos, acho que não tinha maturidade o suficiente para compreender a dimensão da obra e a grandeza de estilo do autor com a sua ausência de parágrafos e pontuação definida para introduzir a fala dos personagens. E foi assim que o estrago estava feito, terminei o livro porque sou persistente, mas detestei Saramago e, digo mais, passei anos afirmando para mim mesma e para as outras pessoas a dificuldade que é ler a obra do escritor.

E aqui faço um parêntese muito rápido, acredito que alguns livros ou alguns autores requerem uma certa maturidade ou uma contextualização para serem lidos e melhor compreendidos.  Dia desses conversava com uma amiga e ela me dizia que até hoje agradece muito a uma professora que a iniciou na obra de Clarice Lispector por meio de A hora da Estrela, livro mais acessível e simples do ponto de vista da linguagem, e que se o tivesse feito por meio de outros títulos como A Paixão segundo GH, por exemplo, que é considerado um dos livros mais densos do realismo psicológico, porque revela uma imersão mais profunda na introspecção com um mergulho na psique dos personagens, teria detestado Clarice.

Essa mesma amiga, que é uma das maiores admiradoras da obra de Saramago que conheço, me emprestou O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Graças a insistência dela, baixei a guarda e resolvi dar uma segunda chance a Saramago. E, acreditem, me surpreendi, pois o livro é muito bom. O autor simplesmente reconta uma das histórias mais conhecidas da humanidade, que nos vem sendo contada há tantos séculos: a vida de Jesus Cristo, só que a partir da visão do próprio Cristo. Saindo da ótica do divino para fazer um retrato da passagem de Cristo pela terra sob a perspectiva do homem, a partir da frágil, mas tenaz natureza humana … o resultado? Um Jesus Cristo de carne e osso como nunca ousamos enxergar. E o autor recria essa história por meio de uma narrativa criativa e encantadora que prende a atenção do leitor do início ao fim, mesmo seguindo fiel ao estilo Saramago de ser: sem pontuação marcada ou parágrafos definidos.

E o resultado disso tudo é que terminei a leitura com vontade de ler outros títulos do autor, farei isso, conto para vocês essa experiência nos próximos posts.

” A ocasião pode sempre criar uma necessidade, mas se a necessidade é forte, terá de ser ela a fazer a ocasião”

                                                           Maria. ( O Evangelho Segundo Jesus Cristo)

Uma curiosidade:  Saramago que era ateu publicou O Evangelho segundo Jesus Cristo em 1991. Dizem as línguas literárias, e aqui não me atrevo a dizer se boas ou más, que na época ele passou a ser malvisto pela Igreja após publicar esta obra que humanizou a figura de Jesus Cristo. A polêmica foi tão forte que o escritor decidiu se isolar com Pilar, sua esposa, na ilha de Lanzarote, a mais oriental do arquipélago das Canárias, na Espanha.

Sobre o autor: Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, em uma família humilde de agricultores que morava na Aldeia da Azinhaga, localizada próxima da província do Ribatejo, em Portugal.

Um dos maiores escritores da literatura portuguesa, José Saramago entrou para história ao se tornar o primeiro autor de língua portuguesa a ganhar um Nobel da Literatura em 8 de outubro de 1998.

Escreveu diversos livros, além de O Evangelho segundo Jesus Cristo publicou também : O ano da morte de Ricardo Reis; O ano de 1993; A bagagem do viajante; O caderno; Cadernos de Lanzarote; Cadernos de Lanzarote II; Caim; A caverna; O conto da ilha desconhecida; Claraboia; Don Giovanni ou dissoluto absolvido; Ensaio sobre a cegueira; Ensaio sobre lucidez; História do cerco de Lisboa; O homem duplicado; In Nomie Dei; A intermitências da morte; A jangada de pedra; A maior flor do mundo: Manual de pintura e caligrafia; Objecto quase; As pequenas memórias; Que farei com este livro?; Todos os nomes: Viagem a Portugal; A viagem do elefante; Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas.

Ficha técnica do livro

Título: O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Autor: José Saramago

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2010

Edição: 1ª edição (1991), 43 reimpressões

Total de Páginas: 445pgs

Confira as nossas resenhas: A hora do Lobisomem

A hora, ou duas, do Lobisomem

I Por C. J. Fernandes

I 30 de Outubro de 2017

O mestre Stephen King é conhecido pelos textos longos e pelas construções de personagens com detalhes e sem pressa. Já tinha lido o Iluminado e estava com It em andamento quando um belo dia quis dar um tempo do senhor Bob Gray (Pennywise) e dei uma olhadela em A Hora do Lobisomem. Já tinha assistido ao filme (eu sei, eu sei, mais um filme adaptado de King) que tem o nome de “Bala de Prata”, que é tão antigo quanto o palhaço Bozo. Como sempre, queria comparar o livro com o filme.

Comparações à parte, o livro é dividido em meses, e em cada fase que a lua cheia aparece. É claro que o período não é tão certinho, o autor justifica no final do livro o motivo mas, sendo sincero, nem dá para se preocupar com isso. O que me surpreendeu foi que cada mês, ou seja, cada capítulo é um conto. Tudo envolve uma história central, a do lobisomem e a da cidade, mas a forma que ele conta é magnífica.

King é sucinto! Isso mesmo, Stephen King, aquele mesmo que escreveu It (1104 páginas), economiza nas palavras! Em contrapartida, a riqueza do texto é sensacional, demonstrando a habilidade e técnica ímpar que ele possui, o que o faz realmente, um dos maiores autores do gênero de terror. Não falta nada, temos uma cidade ameaçada por um monstro, um protagonista, vítimas desesperadas e um plot twist daqueles., ou seja, elementos fundamentais de toda excelente história. A cereja do bolo dessa edição são as ilustrações que Bernie Wrightson desenha em cada, capítulo, em cada ataque do lobo. Vale ressaltar o lindo trabalho da editora Suma de letras, com a capa (emborrachada e em alto relevo) e com algumas artes, de desenhistas brasileiros, ao final do livro, onde cada um dá a sua interpretação do livro.

Para quem nunca leu um livro de Stephen King, ou que ler uma obra curta dele (algo raro), vale a pena investir uma tarde, ou uma noite de lua cheia, em A hora do lobisomem.

Título: A hora do lobisomem

Autor: Stephen King e Bernie Wrightson (ilustrações)

Editora: Suma de letras.

Páginas: 152

Sinopse oficial: O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora, a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’s Mill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu, um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. Um clássico de Stephen King, com as ilustrações originais de Bernie Wrightson.

Uma criatura chegou a Tarker’s Mills, tão sorrateira quanto a lua cheia presidindo o céu noturno”…”A hora dele é agora, o lugar dele é aqui, nesta pequena cidade do Maine, onde jantares de caridade na igreja são um evento semanal, onde garotinhos e garotinhas ainda levam maçãs para as professoras, onde as Excursões na Natureza do Clube dos Cidadãos Idosos são religiosamente relatadas no jornal semanal. Semana que vem, haverá notícias de natureza mais sombria. “

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: www.livrariacultura.com.br