Estamos lendo: Os Sete

Os Sete

I Por CJ Fernandes

I  19 de dezembro de 2017

Sinopse oficial:

Na trama ambientada em terras brasileiras, uma caravela portuguesa naufragada com mais de 500 anos é descoberta no litoral do país. Dentro dela, uma estranha caixa de prata lacrada esconde um segredo. Apesar do aviso grafado, com a recomendação de não abri-la, a equipe de mergulhadores que a descobriu decide seguir em frente, e encontra sete cadáveres. Esses corpos misteriosos são levados para estudos e tudo parece estar sob controle até o despertar do primeiro deles. O romance mistura diversos elementos já conhecidos na escrita de Vianco: terror, suspense, fantasia, sobrenatural, romance e o tema pelo qual o autor é reconhecido: VAMPIROS.

Lançado de forma independente em 2000, Os Sete, de André Vianco, conquistou uma multidão de fãs e se tornou um best-seller, vendendo mais de 100 mil exemplares. O sucesso foi tão grande que consagrou o autor como um dos mais importantes na literatura de fantasia nacional. É neste romance que Vianco atualiza o mito dos vampiros e o encaixa na realidade brasileira, apresentando ao leitor seres poderosos, cada um com uma característica única, porém, todos monstruosamente perversos.

A nova edição chega ao leitor com a ilustração de capa produzida pelo brasileiro Rodrigo Bastos Didier e o design é de Pedro Inoue, o mesmo artista de 2001: Uma Odisseia no Espaço e a da edição comemorativa de 50 anos de Laranja Mecânica.

FICHA TÉCNICA

Edição: 1ª

ANO: 2016

Páginas: 432

ACABAMENTO:brochura

Peso: 0,600 kg

ISBN: 9788576573388

 

Confira as nossas resenhas: Olhos D’Água

O que há por trás desses Olhos d ’Água ?

I Por Ligia Borges

I  11 de dezembro de 2017

Olhos D’água, de Conceição Evaristo, é um livro curto no tamanho e grandioso em sua forma de ser. A obra reúne 15 pequenos contos e a gente já pensa que rapidinho se lê. Ledo engano. É impossível prosseguir a leitura de cada um desses contos, de forma instantânea e rápida, sem passar dias e dias refletindo sobre os temas ali tratados.

Dentro de cada conto habita uma história, um personagem que poderia ser o mesmo de todos os outros contos, um cotidiano que se repete em cada vida, uma sina que se cumpre em um destino, cronologicamente, determinado e condenado aos mesmos desfechos. Será fatalidade? Certamente não é. Não pode ser fruto do acaso esse conglomerado de vidas condenadas aos mesmos fins sociais. Tem alguma coisa muito errada nesse sistema.

Conceição Evaristo, com sua escrita leve, diria quase poética, dá voz e sentimentos a personagens anônimos que estão no noticiário nosso de cada dia. Mas a crônica jornalística na maioria das vezes se atém apenas aos fatos: “Tiroteio assusta moradores na favela” ou “Policiais e criminosos trocam tiros após invasão na favela” são algumas manchetes reais que a gente encontra nas notícias por aí.

No conto ‘ Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos’, Conceição nos fala sobre as brincadeiras de duas irmãzinhas gêmeas, moradoras da favela: ”Nos últimos tempos na favela, os tiroteios aconteciam com frequência e a qualquer hora… Zaíta seguia distraída em sua preocupação. Mais um tiroteio começava (…)”.  Zaíta procurava a sua irmã e a figurinha mais bonita do seu álbum, que retratava uma garotinha carregando uma braçada de flores. E aqui interrompo minha escrita sobre esse conto porque acredito que essa leitura deveria ser obrigatória para cada um de nós e quero dar a  vocês a oportunidade de conhecerem esse conto todo, sem que eu estrague a descoberta dessa leitura revelando o desfecho.

A leitura de Olhos d’Água nos possibilita andar pelas ruas de forma mais atenta, direcionando um outro olhar para o mundo e, principalmente, para os nossos semelhantes. Um olhar mais brando, de mais empatia, de mais tolerância, de mais compaixão, de mais amor. No conto ’Di lixão’, Evaristo conta a história de um morador de rua e a gente finaliza o conto e lembra que aquela pessoa deitada na calçada é um ser humano e tem uma história de vida. Pensemos sempre nisso na próxima vez em que olharmos alguém que perambula pelas ruas.

O livro, que conquistou o terceiro lugar na categoria Contos e Crônicas do Prêmio Jabuti de 2015, trata de uma série de questões sociais e existenciais. Pobreza, preconceito, autoestima, racismo, violência, educação e sexo são só algumas delas. Numa pluralidade de personagens composto por mães, maridos, amantes, namorados, vizinhos, patrões, filhos e crianças, há um destaque: as mulheres, sempre fortes, numa luta diária para serem respeitas, amadas, reconhecidas, valorizadas. Mulheres que carregam consigo a força da ancestralidade de suas raízes africanas.

Olhos D’Água é também um belíssimo conto que dá título ao livro. “Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe?”. Para saber o final dessa história, tem que ler o livro, tem que ler, tem que…

Título: Olhos D’Água.

Autor: Conceição Evaristo.

Editora: Pallas.

Sinopse oficial: Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.

Páginas: 116

Sobre a autora*: Conceição Evaristo nasceu em 29 de dezembro de 1946 numa favela da zona sul de Belo Horizonte, Minas Gerais. Filha de uma lavadeira que, assim como Carolina Maria de Jesus, matinha um diário onde anotava as dificuldades de um cotidiano sofrido, Conceição cresceu rodeada por palavras. Teve que conciliar os estudos com o trabalho como empregada doméstica, até concluir o curso Normal, em 1971, já aos 25 anos.

Uma das principais expoentes da literatura brasileira e afro-brasileira atualmente, Conceição Evaristo tornou-se também uma escritora negra de projeção internacional, com livros traduzidos em outros idiomas. Publicou seu primeiro poema em 1990, no décimo terceiro volume dos Cadernos Negros, editado pelo grupo Quilombhoje, de São Paulo. Desde então, publicou diversos poemas e contos nos Cadernos, além de uma coletânea de poemas e dois romances.

A poeta traz em sua literatura profundas reflexões acerca das questões de raça e de gênero, com o objetivo claro de revelar a desigualdade velada em nossa sociedade, de recuperar uma memória sofrida da população afro-brasileira em toda sua riqueza e sua potencialidade de ação. É uma mulher que tem cuidado de abrir espaços para outras mulheres negras se apresentarem no mundo da literatura.

*Com informações consultadas em: http://www.palmares.gov.br/conceicao-evaristo

 

 

 

 

Confira as nossas resenhas: Grande Sertão Veredas

Relato de um Grande Sertão: Veredas

I Por Ligia Borges

I 26 de novembro de 2017

 

E de repente você se vê fazendo a travessia em meio a um Grande Sertão: Veredas. Livro bom é aquele que tem o poder te arremessar para o meio da história. Porém, engana-se quem pensa que o relato feito por João Guimarães Rosa a respeito das andanças do jagunço Riobaldo pelo sertão de Minas Gerais, Goiás e Bahia tem esse poder de já captar o leitor à primeira vista.

De início já lhes digo: não é uma leitura fácil. O livro é quase uma metalinguagem da vida no sertão. Para sobreviver e vencer a travessia carece de ter paciência e persistência. É preciso uma boa dose de coragem e também um pouco de resistência, para chegar ao fim desse relato. Como no sertão, muitos são os sertanejos que, por uma questão de sobrevivência, largam tudo e vão para as grandes capitais tentar a vida. Mas há os que ficam e sobrevivem e esses, como diz o escritor Euclides da Cunha, são “antes de tudo uns fortes”.

Apesar dos percalços que foi fazer essa travessia literária, posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que este é um dos livros mais incríveis que já li. O relato impressiona pela riqueza de detalhes a respeito da região. Guimarães retrata por meio de uma precisão, praticamente documental, toda a grandiosidade da fauna e da flora da região que abrange os três estados e acompanha o curso do rio Urucuia no sertão mineiro.

Outro traço que impressiona na literatura de Guimarães, especialmente neste livro, é o exercício de linguagem. O autor constrói todo um linguajar e um modo de falar próprio do personagem principal e narrador dessa história, Riobaldo. A história é contada por meio da conversa do protagonista, agora um fazendeiro e ex-jagunço, com um forasteiro. Todo o relato das vivências dele pelo sertão, da vida de jagunço e de sua admiração pelo jagunço Reinaldo,  Diadorim, se desenvolve a partir desse diálogo.  São muitos os personagens dessa travessia, são tantos que às vezes a gente se perde e se confunde. É complicado sintetizar a história em um resumo. Mas de modo bem genérico, podemos dizer que a narrativa retrata o conflito entre dois bandos de jagunços.

A riqueza da prosa literária de Guimarães é um dos pontos fortes do livro mas, para além do enredo, o que encanta mais nesse relato são as reflexões, falas, conclusões de Riobaldo a respeito de questões filosóficas e universais que acompanham o homem desde sempre.  Num relato cheio de poesia e inquietação, Riobaldo nos coloca em contato com temas como amor, alegria, ambição, ódio, solidão, dor, medo, morte, Deus, diabo.

A todo o momento a gente se depara com citações que mexem com as nossas inquietações e faz com que nos encantemos o tempo todo … De modo que, durante a travessia não foram poucos os grifos que fiz a respeito dos relatos de Riobaldo, essa figura que já virou um dos meus queridinhos da literatura …

“O correr da vida embrulha tudo.

A vida é assim: esquenta e esfria,

aperta e daí afrouxa,

sossega e depois desinquieta.

O que ela quer da gente é coragem …

O que Deus quer é ver a gente

aprendendo a ser capaz

de ficar alegre a mais,

no meio da alegria,

e inda mais alegre

ainda no meio da tristeza!

A vida inventa!

A gente principia as coisas,

no não saber por que,

e desde aí perde o poder de continuação

porque a vida é mutirão de todos,

por todos remexida e temperada.

O mais importante e bonito, do mundo, é isto:

que as pessoas não estão sempre iguais,

ainda não foram terminadas,

mas que elas vão sempre mudando.

Afinam ou desafinam. Verdade maior.

Só se pode viver perto de outro,

e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio,

se a gente tem amor.

Qualquer amor já é um pouquinho de saúde,

um descanso na loucura.

Viver é muito perigoso; e não é não.”

Título: Grande Sertão: Veredas.

Autor: João Guimarães Rosa.

Editora: Nova Fronteira.

Sinopse oficial: Livro fundamental na literatura brasileira, o romance João Guimarães Rosa, publicado em 1956, foi escolhido pela Folha de São Paulo, pela Revista Época e por várias associações internacionais como um dos 100 maiores livros da literatura universal do século XX. Nesta obra de Guimarães Rosa, o sertão é visto e vivido de uma maneira subjetiva e profunda, e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou como uma série de costumes que parecem pitorescos. Sua visão resulta de um processo de integração total entre o autor e a temática, e dessa integração a linguagem é o reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza-se do idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo em sua extensa e perturbadora narrativa.

Encontramos em ´Grande Sertão-Veredas´ dimensões universais da condição humana – o amor, a morte, o sofrimento, o ódio, a alegria – retratadas através das lembranças do jagunço em suas aventuras no sertão mítico, e de seu amor impossível por Diadorim

Páginas: 496

Sobre o autor*: João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 na cidade de Cordisburgo, Minas Gerais. Em 1925 matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, formando-se em 1930. Passou a exercer a profissão de médico no interior de Minas Gerais, onde teve um primeiro encontro com os elementos e a realidade do sertão.

Em 1934 foi aprovado em um concurso para o Itamaraty e exerceu diversas funções diplomáticas no exterior. Ao lado de sua atividade profissional, como médico ou como diplomata, Guimarães Rosa nunca deixou de escrever.

Estreou na literatura em 1929, quando a revista “O Cruzeiro” publicou alguns contos seus, vencedores de um concurso literário da edição. Seu primeiro livro, a coletânea de contos “Sagarana”, foi publicado em 1946 e chamou muita atenção pelas inovações técnicas e riqueza de simbologias. Mas a consagração definitiva viria com a publicação do seu único romance, “Grande Sertão: Veredas”, em 1956.

Em 1961, Guimarães Rosa recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Candidatou-se à Academia Brasileira de Letras, pela segunda vez, em 1963 e foi eleito por unanimidade. Mas não foi empossado imediatamente, porque adiou a cerimônia enquanto pôde. Dizia ter medo de morrer no dia do evento. Só tomou posse em 16 de novembro de 1967. Três dias depois, em 19 de novembro, morreu subitamente em seu apartamento no Rio de Janeiro, de infarto.

Suas principais obras são: “Sagarana” (1946), “Grande Sertão: Veredas” (1956), “Corpo de Baile” (1956; atualmente é publicada em três volumes: “Manuelzão e Miguilim”, “No Urubuquaquá, no Pinhém” e “Noites do Sertão”) e “Primeiras Estórias” (1962).

*Com informações consultadas em: https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/grande-sertao-veredas-resumo-da-obra-de-guimaraes-rosa/

Confira as nossas resenhas: O iluminado

Era uma vez um hotel amaldiçoado…

I Por CJ Fernandes

I 20 de novembro de 2017

Conheci O Iluminado através do cinema, na adaptação de Stanly Kubrick, estrelada por Jack Nicholson. Assisti já adulto e achava que teria mais medo do que realmente tive. Curioso, anos depois resolvi ler o romance que deu origem ao filme, seria o meu primeiro livro de Stephen King e a expectativa era grande, mesmo ouvindo críticas do livro em comparação ao filme.

Uma técnica da escrita para fazer com que o leitor crie empatia, ou antipatia, pelos seus personagens é fazer essa construção de relacionamento no início do livro. Para muitos podem parecer enrolação, mas é algo necessário, caso contrário, você não compra, não acredita na história e abandona o livro, fazendo com que o autor não venda nada e morra de fome (dramático, eu sei). King é conhecido por fazer essa construção /apresentação, sem pressa e detalhada. Eu não sabia disso e fui descobrir nessa obra. Ele demora muito, muito mesmo, para essa construção. Eu até achava que coisa minha, pelo fato de ler quadrinhos, que é uma velocidade maior, ou outros livros que não tinha me incomodado com isso, enfim, pensava que era pessoal, mas não era. Tenho um amigo, aquele que leu It e a saga inteira, eu disse inteira, da Torre Negra (7 livros) duas vezes, que desistiu de O Iluminado. Eu quase desisti, quase. Virou uma questão de honra ler esse livro!

A construção de personagens gira em torno de quatro: Jack Torrance, o pai, Wendy, a mãe, Danny, o filho, O Iluminado (calma, não é spoiler, é?) e o Overlook (sim, o hotel). Talvez aí esteja o grande trunfo do livro, o hotel é um dos seus grandes antagonistas. O seu passado é fator importante para o entendimento do presente, compreendendo o porquê que as coisas acontecem daquela forma e como ele tem o poder de influenciar as pessoas que se hospedam, ou moram nele. O novo zelador do hotel, Jack tem os seus próprios demônios para lidar e é aí que o hotel vê uma oportunidade. Oportunidade essa, quando o seu filho Danny, um garotinho de cinco anos, se mostra ser um iluminado, o que aguça a cobiça do Overlook em possuí-lo. O ritmo arrastado da obra gira em torno da relação de Jack com a sua família e com o hotel.

Até metade, ou um pouco mais do livro, vemos o relacionamento de Jack com o hotel aumentando, em detrimento do seu com a sua família. Com isso, o ritmo do livro acelera em algumas cenas, seguindo por pausas para recuperar o fôlego do leitor. Quando a história está próxima do final, aí sim, a obra deslancha. O ritmo é frenético e é impossível abandonar o texto. King escreve bem! Como escreve e ao chegar no final da história a gente se pergunta como aquela família estaria depois daquela experiência traumática. Entretanto, não precisamos imaginar, pois King escreveu Dr Sono, a sua continuação. Atualmente, a Suma de Letras lançou uma edição de luxo de o Iluminado com um novo prólogo e epílogo, além da revisão de texto. Não me atreverei a ler o livro de novo (no futuro quem sabe?), mas Dr Sono, já está na minha prateleira.

Título: O Iluminado

Autor: Stephen King.

Editora: Suma de letras.

Sinopse oficial: O lugar perfeito para recomeçar, é o que pensa Jack Torrance ao ser contratado como zelador para o inverno. Hora de deixar para trás o alcoolismo, os acessos de fúria e os repetidos fracassos. Isolado pela neve com a esposa e o filho, tudo o que Jack deseja é um pouco de paz para se dedicar à escrita.
Mas, conforme o inverno se aprofunda, o local paradisíaco começa a parecer cada vez mais remoto… e sinistro. Forças malignas habitam o Overlook, e tentam se apoderar de Danny Torrance, um garotinho com grandes poderes sobrenaturais.
Possuir o menino, no entanto, se mostra mais difícil do que esperado. Então os espíritos resolvem se aproveitar das fraquezas do pai…
Um dos livros mais assustadores de todos os tempos, O iluminado é uma das obras mais consagradas do terror.

Páginas: 464

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: https://www.livrariacultura.com.br

Estamos lendo: História da Menina Perdida

História da Menina Perdida

IPor Ligia Borges

I 16 de novembro de 2017

Sinopse oficial:

Autora finaliza a série napolitana que já vendeu mais de 100.000 exemplares no Brasil. A história de vida de Lenu e Lina e de todos os personagens do bairro de Nápoles agora caminham da maturidade à velhice. “História da menina perdida” é o final que o leitor esperava, com a dureza e a força que aprendemos a identificar nas personagens de Ferrante — sem rodeios.

Ficha técnica:

Peso: 0.480 Kg
Marca: Biblioteca Azul
I.S.B.N: 9788525063106
Altura: 21.00 cm
Largura: 14.00 cm
Profundidade: 2.70 cm
Número de páginas: 480
Idioma: Português
Acabamento: Brochura
Cód. Barras: 9788525063106
Número da edição: 1
Ano de edição: 2017

Confira nossas resenhas: Na minha pele

Na Minha Pele: um romance biográfico, será que é possível?

I Por Ligia Borges

I 13 de novembro de 2017

Em Na Minha Pele – livro escrito por Lázaro Ramos, conhecido pelos seus inúmeros personagens, vou citar os meus favoritos: Roque Bahia de Ó paí, Ó; Foguinho de Cobras & Lagartos; Brau de Mister Brau, mas tem vários outros papéis das produções cinematográficas e telenovelas estreladas por ele –, bem o ator já é conhecido, mas como eu estava dizendo, em Na Minha Pele temos a oportunidade de olhar um pouco mais para o cidadão Lázaro que se revela através do escritor.  Estamos diante de uma conversa franca, um convite à reflexão e à tomada de consciência sobre temas como construção de identidade, autoestima, racismo, família, valores e cidadania.

Porém me arrisco a dizer mais, o livro vai além de um relato biográfico puro e simples, é quase um romance. Ramos ao narrar a história da sua família, por meio das memórias e lembranças da sua infância, dá voz a personagens reais e recria a Ilha de Paty, a pouco mais de setenta quilômetros de Salvador, localizada na baía de todos os Santos.

É uma delícia vivenciar as histórias contadas por ele, algumas muitas vezes duras, tristes, mas humanas, de luta, como é a vida real cheia de altos e baixos, mas muitas delas divertidas também. Algumas dessas histórias tem um encanto ainda maior quando seu RG tem a sigla BA de Bahia, como é o caso da pessoa que vos fala. Inúmeras foram os momentos em que folheando as páginas dessa viagem revivi cenas da minha infância.

“ Quando alguém está no “porto” e quer chegar até o Paty, só precisa gritar: “ Tomaquê”.” E Lázaro explica ao leitor o significado de expressões tão comuns na Bahia. É uma redução como Oxente que quer dizer “O que é isso, minha gente”,  ou  Ó paí, ó, que é “Olhe para isso, olhe. E o Tomaquê  é o mesmo que “ Me tome aqui, do outro lado da margem”. Porém como ele mesmo diz é muito mais gostoso falar Tomaquê e, assim, ele vai recriando cenários, recuperando contextos, tecendo uma história que é uma história real que ainda está sendo escrita por ele.

Mas voltemos ao ponto de onde eu havia parado antes de me perder nas expressões regionais. Voltando ao livro, este é também um relato delicado e leve, mas ao mesmo tempo forte e incisivo sobre um tema tão pesado que é o racismo, uma violência, um crime cruel que acontece o tempo todo e se disfarça de pequenos gestos e de olhares segregadores, que subjuga, oprime, nos leva a dar milhares de passos na macha ré da evolução e do progresso, em todos os sentidos: humano, moral, intelectual, espiritual, econômico, político etc.

A camélia era usada como um símbolo que identificava quem era contra a escravidão. Imagem: freepik.com

Nas páginas de em Na Minha Pele, vamos nos deparar também com fatos importantes e marcantes da história de luta do negro nesse mundão de meu Deus, que nos emociona e nos toca. Vocês sabiam que a camélia (foto), a flor, era usada como um símbolo que identificava quem era contra a escravidão? Usar a flor na lapela do paletó ou ter camélias nos jardins era um sinal utilizado pelos escravos para identificar quem podia lhes dar apoio na luta contra a escravidão. Esses e outros relatos do livro enriquecem a nossa memória coletiva e nos aproxima ainda mais das nossas origens, nos humaniza.

Sobre o autor – Tive a oportunidade de conhecer Lázaro Ramos e assistir a algumas das suas palestras na edição desse ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) que homenageou Lima Barreto e deu espaço para diversos bons escritores negros ( Conceição Evaristo, Djaimilia Pereira, só para citar alguns), mas a Flip merece um post à parte. Voltando a Lázaro tive o prazer de conhecê-lo e conversar um pouquinho com ele, e posso dizer que a gente admira o ator, começa a gostar do escritor, mas se encanta mesmo é pelo cidadão que aproveita o espaço e visibilidade conquistados por sua arte para colocar no debate a discussao sobre  todas essas questões. ” ‘Seu lugar é aquele onde você sonha estar’. Hoje assumo: precisava propagar essa ideia, a ideia de que sonho é a meta. Há que se desejar mais e que pensar que é possível.”

 

Ficha técnica do livro

Título: Na Minha Pele

Autor: Lázaro Ramos

Editora: Objetiva

Ano: 2017

Edição: 1ª edição

Total de Páginas: 152pgs

Confira as nossas resenhas: O evangelho segundo Jesus Cristo

O dia, ou melhor, o livro em que fiz as pazes com Saramago

I Por Ligia Borges

I 6 de novembro de 2017

O Evangelho segundo Jesus Cristo foi publicado em 1991. Dizem que na época Saramago passou a ser malvisto pela Igreja após publicar esta obra que humanizou a figura de Jesus Cristo.

Assim como muita gente, comecei a ler a obra do escritor português José Saramago por um dos seu livros mais famosos e premiado, o Ensaio sobre a Cegueira. Essa obra rendeu ao autor um dos prêmios mais importantes da literatura portuguesa que é o Prêmio Camões, em 1995, e foi adaptada para o cinema pelo brasileiro Fernando Meirelles em 1997. Acontece que na época em que o li, devia ter uns 14 anos, acho que não tinha maturidade o suficiente para compreender a dimensão da obra e a grandeza de estilo do autor com a sua ausência de parágrafos e pontuação definida para introduzir a fala dos personagens. E foi assim que o estrago estava feito, terminei o livro porque sou persistente, mas detestei Saramago e, digo mais, passei anos afirmando para mim mesma e para as outras pessoas a dificuldade que é ler a obra do escritor.

E aqui faço um parêntese muito rápido, acredito que alguns livros ou alguns autores requerem uma certa maturidade ou uma contextualização para serem lidos e melhor compreendidos.  Dia desses conversava com uma amiga e ela me dizia que até hoje agradece muito a uma professora que a iniciou na obra de Clarice Lispector por meio de A hora da Estrela, livro mais acessível e simples do ponto de vista da linguagem, e que se o tivesse feito por meio de outros títulos como A Paixão segundo GH, por exemplo, que é considerado um dos livros mais densos do realismo psicológico, porque revela uma imersão mais profunda na introspecção com um mergulho na psique dos personagens, teria detestado Clarice.

Essa mesma amiga, que é uma das maiores admiradoras da obra de Saramago que conheço, me emprestou O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Graças a insistência dela, baixei a guarda e resolvi dar uma segunda chance a Saramago. E, acreditem, me surpreendi, pois o livro é muito bom. O autor simplesmente reconta uma das histórias mais conhecidas da humanidade, que nos vem sendo contada há tantos séculos: a vida de Jesus Cristo, só que a partir da visão do próprio Cristo. Saindo da ótica do divino para fazer um retrato da passagem de Cristo pela terra sob a perspectiva do homem, a partir da frágil, mas tenaz natureza humana … o resultado? Um Jesus Cristo de carne e osso como nunca ousamos enxergar. E o autor recria essa história por meio de uma narrativa criativa e encantadora que prende a atenção do leitor do início ao fim, mesmo seguindo fiel ao estilo Saramago de ser: sem pontuação marcada ou parágrafos definidos.

E o resultado disso tudo é que terminei a leitura com vontade de ler outros títulos do autor, farei isso, conto para vocês essa experiência nos próximos posts.

” A ocasião pode sempre criar uma necessidade, mas se a necessidade é forte, terá de ser ela a fazer a ocasião”

                                                           Maria. ( O Evangelho Segundo Jesus Cristo)

Uma curiosidade:  Saramago que era ateu publicou O Evangelho segundo Jesus Cristo em 1991. Dizem as línguas literárias, e aqui não me atrevo a dizer se boas ou más, que na época ele passou a ser malvisto pela Igreja após publicar esta obra que humanizou a figura de Jesus Cristo. A polêmica foi tão forte que o escritor decidiu se isolar com Pilar, sua esposa, na ilha de Lanzarote, a mais oriental do arquipélago das Canárias, na Espanha.

Sobre o autor: Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, em uma família humilde de agricultores que morava na Aldeia da Azinhaga, localizada próxima da província do Ribatejo, em Portugal.

Um dos maiores escritores da literatura portuguesa, José Saramago entrou para história ao se tornar o primeiro autor de língua portuguesa a ganhar um Nobel da Literatura em 8 de outubro de 1998.

Escreveu diversos livros, além de O Evangelho segundo Jesus Cristo publicou também : O ano da morte de Ricardo Reis; O ano de 1993; A bagagem do viajante; O caderno; Cadernos de Lanzarote; Cadernos de Lanzarote II; Caim; A caverna; O conto da ilha desconhecida; Claraboia; Don Giovanni ou dissoluto absolvido; Ensaio sobre a cegueira; Ensaio sobre lucidez; História do cerco de Lisboa; O homem duplicado; In Nomie Dei; A intermitências da morte; A jangada de pedra; A maior flor do mundo: Manual de pintura e caligrafia; Objecto quase; As pequenas memórias; Que farei com este livro?; Todos os nomes: Viagem a Portugal; A viagem do elefante; Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas.

Ficha técnica do livro

Título: O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Autor: José Saramago

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2010

Edição: 1ª edição (1991), 43 reimpressões

Total de Páginas: 445pgs

Confira as nossas resenhas: A hora do Lobisomem

A hora, ou duas, do Lobisomem

I Por C. J. Fernandes

I 30 de Outubro de 2017

O mestre Stephen King é conhecido pelos textos longos e pelas construções de personagens com detalhes e sem pressa. Já tinha lido o Iluminado e estava com It em andamento quando um belo dia quis dar um tempo do senhor Bob Gray (Pennywise) e dei uma olhadela em A Hora do Lobisomem. Já tinha assistido ao filme (eu sei, eu sei, mais um filme adaptado de King) que tem o nome de “Bala de Prata”, que é tão antigo quanto o palhaço Bozo. Como sempre, queria comparar o livro com o filme.

Comparações à parte, o livro é dividido em meses, e em cada fase que a lua cheia aparece. É claro que o período não é tão certinho, o autor justifica no final do livro o motivo mas, sendo sincero, nem dá para se preocupar com isso. O que me surpreendeu foi que cada mês, ou seja, cada capítulo é um conto. Tudo envolve uma história central, a do lobisomem e a da cidade, mas a forma que ele conta é magnífica.

King é sucinto! Isso mesmo, Stephen King, aquele mesmo que escreveu It (1104 páginas), economiza nas palavras! Em contrapartida, a riqueza do texto é sensacional, demonstrando a habilidade e técnica ímpar que ele possui, o que o faz realmente, um dos maiores autores do gênero de terror. Não falta nada, temos uma cidade ameaçada por um monstro, um protagonista, vítimas desesperadas e um plot twist daqueles., ou seja, elementos fundamentais de toda excelente história. A cereja do bolo dessa edição são as ilustrações que Bernie Wrightson desenha em cada, capítulo, em cada ataque do lobo. Vale ressaltar o lindo trabalho da editora Suma de letras, com a capa (emborrachada e em alto relevo) e com algumas artes, de desenhistas brasileiros, ao final do livro, onde cada um dá a sua interpretação do livro.

Para quem nunca leu um livro de Stephen King, ou que ler uma obra curta dele (algo raro), vale a pena investir uma tarde, ou uma noite de lua cheia, em A hora do lobisomem.

Título: A hora do lobisomem

Autor: Stephen King e Bernie Wrightson (ilustrações)

Editora: Suma de letras.

Páginas: 152

Sinopse oficial: O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora, a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’s Mill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu, um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. Um clássico de Stephen King, com as ilustrações originais de Bernie Wrightson.

Uma criatura chegou a Tarker’s Mills, tão sorrateira quanto a lua cheia presidindo o céu noturno”…”A hora dele é agora, o lugar dele é aqui, nesta pequena cidade do Maine, onde jantares de caridade na igreja são um evento semanal, onde garotinhos e garotinhas ainda levam maçãs para as professoras, onde as Excursões na Natureza do Clube dos Cidadãos Idosos são religiosamente relatadas no jornal semanal. Semana que vem, haverá notícias de natureza mais sombria. “

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: www.livrariacultura.com.br

Confira as nossas resenhas: It

 It, o maior, literalmente, livro do mestre Stephen King

I Por  C.J.Fernandes

I 24 de Outubro de 2017

A primeira impressão é a que fica”, nunca acreditei nesse ditado, ainda bem. O primeiro livro do Sr. King que eu li foi “O Iluminado” e confesso que este ficou abaixo das minhas expectativas. A história demorou para pegar ritmo e terminar o livro foi mais uma questão de honra do que qualquer outra coisa! Embora este texto não seja sobre O Iluminado, estou ressaltando esse fato porque fiquei com medo de ler It, um romance de 1.104 páginas de um autor que, embora famoso e aclamado, não tinha a minha empatia (será que sou normal?). O que de fato me fez ler “It” foi o encorajamento de um amigo e leitor compulsivo que tinha lido esta obra e desistido de “O Iluminado” (e não era nenhum leitor, é daqueles que lê o livro mais de uma vez, daqueles que lê a saga da “Torre Negra”, que King dividiu em sete livros, duas vezes! Eu disse duas vezes!). Com a proximidade do lançamento do filme It resolvi encarar o desafio. Ainda bem (de novo).

O livro tem um núcleo de personagens cativantes desde a primeira página. King é conhecido pela construção de personagens e de cenários de forma minuciosa e sem pressa, dure o tempo que precisar. Em “It” não é diferente, embora ele mantenha um ritmo constante e mais acelerado do que o livro anterior que citei no início desta resenha, há sutis quebras de ritmo, mas nada que freie a expectativa do leitor. É fato que Pennywise, o palhaço dançarino, seja o grande vilão do livro, porém, somos apresentados a inimigos reais da juventude: o preconceito, o racismo, o machismo, a violência contra mulher, os relacionamentos abusivos e outras formas de bullying tão presentes nessa fase. Ah, não podemos esquecer de Henry Bowers, o esteriótipo de valentão repetente de ano que todos nós já tivemos a oportunidade de esbarrar por aí. Esses momentos de confrontos reais, assim como a união do Clube dos Otários (os sete personagens principais do livro) é o que nos fazem persistir em ler mais de 1.000 páginas de história. Certamente que estamos lá por conta do terror também, mas não é algo realmente aterrorizante, quando visto da perspectiva de um adulto é claro, mas isso não diminui os momentos de tensão e a expectativa para o desfecho da história.

Não é spoiler falar que eles se reencontram 27 anos depois para o embate final com “A coisa”. Portanto, sabemos mais sobre o que aconteceu com eles após a infância e como eles estão agora, adultos. O livro brinca com o tempo, hora narrando as aventuras infantis do clube, hora mostrando a reunião deles enquanto adultos. E isso vai até o final, de forma não linear. O que aumenta a ansiedade por saber mais sobre eles, e sobre “A coisa”. Ah, “A coisa”, a polêmica número um do livro. Mesmo sabendo que é uma obra de ficção muitos criticam a origem do “Palhaço dançarino”, assim como outros personagens apresentados na trama. Às vezes criamos uma expectativa muito material, mundana para racionalizar a origem de tudo, mesmo lendo ficção científica. Há pessoas que criticam a origem de Pennywise, eu entendo, mas não vi, ou li, nada que fosse muito “viajandão”. Se pararmos para analisar, de forma fria e calculista, a própria origem do universo é algo até hoje inexplicável e incerto para muitos. Há outras polêmicas no livro que considero mais pertinentes. Uma em especial, infelizmente, sou daqueles contra spoilers, mas deixo registrado que a tal cena polêmica mais criticada da obra seja, na minha modesta opinião, um dos poucos momentos desnecessários do livro, pois todos os capítulos fazem sentido ao final da leitura completa, por mais despretensiosos que possam parecer.

Se você assistiu ao primeiro filme de 2017, aguarda a sua continuação para 2019, e está preocupado com os possíveis spoilers que o filme trará, não se preocupe. Como a maioria das adaptações audiovisuais de livros, há grandes alterações na história original, o que permite a leitura desta obra-prima do medo sem pressa. A leitura contínua e ininterrupta, por mais demorada que seja, ajudará a torná-lo mais um membro do Clube dos Otários (aliás, quem nunca teve o seu clubinho?), criando uma relação de amizade com aquelas sete crianças e deixando uma saudade imensa assim que lemos o último parágrafo.

Título: It, a coisa.

Autor: Stephen King.

Editora: Suma de letras.

Páginas: 1.104

Sinopse oficial: Durante as férias de 1958, em uma pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança… e do medo. O mais profundo e tenebroso medo.

Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permaneceu em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry.

O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Neste clássico de Stephen King, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: https://www.amazon.com.br