Confira as nossas resenhas: Amaldiçoado

Saber a verdade é um dom ou uma maldição?

| Por C.J. Fernandes

|24 de setembro de 2018

 

 

Esta obra é  daquelas que furam a fila por algum motivo. Desta vez foi a recomendação de um amigo que tinha falado muito bem deste autor, Joe Hill. O nome dele ficou na minha cabeça até eu lembrar de onde o conhecia. Ele é filho do autor Stephen King e, por motivos óbvios, resolveu usar o pseudônimo de um famoso compositor sueco para ter crédito no mercado literário como um ótimo escritor e não apenas como filho de um dos maiores autores de ficção e terror da atualidade.

Como toda primeira obra de um autor que leio, não espero muito. A expectativa deve aumentar com o  decorrer das páginas quando vejo se o livro é capaz de me prender ou não. . Diferente de muitos outros títulos,  esta história já tem os personagens estabelecidos na sua cidade, o que é novo (talvez não tão novo assim em histórias de terror) é um assassinato misterioso de uma jovem (só falta ser ruiva, bem, não falta mais) cujo principal acusado é o protagonista da história que jura inocência (algo típico também). O que surge nas primeiras páginas são os chifres também, ah os chifres! Voltaremos neles mais tarde.

A história se passa na cidade norte-americana  de Gideão, onde a rica família Perrish tem a sua fama negativamente alavancada pela acusação do seu filho mais novo, Ignacius, Ig, ter assassinado a sua namorada de longa data, Merrin, após uma discussão em uma lanchonete. Um belo dia Ig acorda com os chifres e a sua vida, que já parecia estar ruim o suficiente, vira um inferno, quase literalmente. Voltemos aos chifres.

Além de querer saber quem realmentematou Merrin (é claro), a curiosidade é grande para saber o porquê dos chifres aparecerem . Eles acompanham Ig por toda a trama mostrando os seus poderes, como, por exemplo, todos que falam com o protagonista, falam a verdade, indubitavelmente. O que seria um dom, parece se tornar uma maldição. A sinceridade pode machucar e até, literalmente, matar.

Além das situações inusitadas que Ig passa, as pessoas próximas a ele, não parecem querer tanto o seu bem assim. Todos os moradores de Gideão que cruzam o seu caminho (chifres) mostram seus verdadeiros demônios internos e seus desejos nada nobres.  Até aí tudo bem, mas apenas situações inesperadas e até engraçadas não vão conquistar este leitor aqui, mas (mas) quando descobrimos quem matou Merrin (e isso não é no final do livro não viu!?) e acessamos as suas lembranças, aí o livro começa!

Um bom livro deve despertar sentimentos em quem o lê, sejam eles bons (alegria, amor, felicidade…) ou ruins (raiva, ódio, tristeza…) e Amaldiçoado consegue com êxito! Atrevo- me a  dizer que este é um dos antagonistas mais odiados que eu já li!! Infelizmente, não posso dar spoiler aqui, mas os sentimentos que o personagem me transmitiu não foram nada nobres, a ponto de querer parar de ler em algumas  partes nas quais me senti desconfortável.

A minha grande expectativa era saber como seria o final do antagonista, se a origem dos chifres seria bem justificada e como estaria o protagonista no final disso tudo. Posso dizer que tudo foi respondido, se bem ou mal, você terá que ler o livro e tirar as suas próprias conclusões :).

P.S.: Logo após a leitura, fui assistir ao filme, estrelado pelo eterno Harry Potter, Daniel Radcliffe, e confesso que não me animei muito com adaptação.

Título: Amaldiçoado

Autor: Joe Hill

Editora: Arqueiro

Páginas: 320

Sinopse oficial

Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida.

Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro.

Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Além disso, descobre algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis.

Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora.

Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.

Sobre  autor: Joe Hill já ganhou diversos prêmios por seus contos, incluindo dois Bram Stoker, o mais importante da literatura de horror. É autor de A estrada da noite e O pacto e da coletânea de contos Fantasmas do século XX, todos publicados no Brasil pela Arqueiro.

Contos misteriosos do Sr. Fernandes

Prólogo

Vale Doce era um bairro em forma de cidade. Não tão grande como uma capital, mas não tão pequeno como um bairro nobre. Poderia-se dizer que era uma cidade pequena, pelo tamanho, mas comum PIB elevado. Localizado estrategicamente em um vale rodeado por montanhas, uma floresta profunda e por um lago extenso, o Pêssego (pelo seu formato), ele tem um acesso difícil, mas não somente pela sua geografia, mas sim pelo custo de vida. Era conhecido pelo padrão de vida elevado, colégio de molde tradicional, e de excelência, um local seguro para se morar, porém, não são todos que podem pagar o preço.

Sabendo disso, muitas famílias vão para “O Vale” à procura de uma vida mais tranquila, porém sem abrir mão do luxo e do conforto. É importante também que se tenha um colégio com educação ímpar, mesmo para os mais desajustados. Para isso, a Escola de Ensino Médio Albert Einstein é a melhor opção. Professores com mestrado, tablets no lugar de cadernos, ternos como uniformes, nível de exigência alto, time de voleibol só para ocupar o tempo e os hormônios dos jovens, educação exemplar! Porém, nem tudo está no controle dos pais ou da escola, pois jovens são jovens, e eles gostam de festas.

Era a última festa antes das aulas. Como a maioria das festas não-oficiais da cidade, o local preferido era à beira do Lago Pêssego, ou Pesse, como eles gostavam de chamá-lo. Bebida e bebida à vontade, e a música alta saia dos carros tunados na beira do lago.

Sempre era o mesmo cenário, os nerds não eram convidados (a maioria não se importava, pois sábado era noite de RPG, vídeo game ou maratona Star Wars), os populares ocupavam o lugar de destaque, esses eram formados pelo time de basquete e pelas garotas populares da escola. Entretanto, como toda festa, tinha os seus penetras; pessoas que não eram convidadas, mas, como o lago era um lugar público, iam mesmo assim. Os motivos que eram diferentes; tinham os recém-chegados na cidade, e buscavam se enturmar e tinham aqueles que não se importavam pela alta sociedade escolar e iam justamente para irritá-los. Podemos destacar que, nesse grupo de “rebeldes” tínhamos várias tribos; os roqueiros, os góticos, os rappers, os skatistas e, claro, os sem tribos.

Da turma de vôlei, os destaques eram o ponteiro Alan sempre seguido pelo levantador Patrick e pelo líbero Nelson. Completava o time titular o atacante Fred, o central Yan e o outro ponta, Marcelo. Entre as garotas populares da escola e da cidade, o destaque era para o popular “quarteto fantástico”, formado por Léia, Cléo, Val e Penélope, a sua líder. Todos sabiam da relação dos jogadores e essas garotas, namoricos e paixões adolescentes, sabiam também que um jogador que ficasse com alguém fora do seu “meio” seria considerado esquisito. Pois Fred era o esquisito. Ele, embora tivesse um affair com a “fantástica” Cléo, se envolvia com a excluída Nathália, que, junto com as amigas Emília (chamada pelas demais de Emily) e Cristiana, a “Cris”, formavam um trio punk gótico, as “nêmeses” do quarteto fantástico.

A festa ocorria, já no fim da tarde, da mesma forma de sempre, som alto, bebedeira, brincadeiras sem graças, nenhuma novidade, até que Penélope percebeu que Cléo tinha o olhar fixo em algum ponto distante. Quando a jovem pôde encontrar para onde a amiga estava olhando, ela entendeu o porquê do olhar imóvel. A garota vira Fred conversando com Nathália e tentou puxar assunto com a amiga, tentando desviar a sua atenção:

— Amiga, daqui a pouco temos que ir embora, lembra que amanhã é dia de irmos ao abrigo? Já está anoitecendo e precisamos acordar cedo.

Cléo, não disfarçando a irritação, respondeu:

— Não entendo o que o Fred faz com aquela esquisita de botas — referindo-se às botas de Nathália, acessório quase inseparável da garota. — Eles estão conversando há um tempão! — ela tinha ignorado a sugestão da amiga e continuava a encarar o casal.

Penélope acreditava que a festa já tinha acabado para a amiga, pois Cléo estava muito irritada com a situação. Enquanto isso, Alan, o seu namorado, se aproximava das duas, já um pouco alterado pelo efeito do álcool:

— E aí garotas, estão com essas caras por quê? A festa mal começou! — disse abraçando as duas garotas.

— Nada, só o Fred com a Nathália. Isso é tão irritante! — respondeu Cléo, ainda olhando para o casal.

— O Fred? Cara, ele parece estranho às vezes mesmo, nem parece meu amigo! — falou o garoto soltando uma gargalhada.

— Não enche Alan, não vê que a Cléo gosta realmente do Fred? Parece que a Nathália só está com ele para de divertir às custas da Cléo, ela sabe que eles ficam — retrucou Penélope, sendo solidária à amiga.

— Calma gatinha, — disse o rapaz fazendo um carinho no rosto da namorada — se o problema é esse, é fácil de resolver. — deu um gole na lata que segurava e jogou-a fora.

Enquanto Penélope pegava a lata do chão, para colocar em algum lixo, o namorado se afastava das duas em direção ao casal que conversava distante. “O que ele está fazendo?”, pensou a jovem.

Ao mesmo tempo em que ele se aproximava do casal, as outras amigas, Val e Léia, se aproximaram:

— E aí Penélope, vamos embora? — disse Val para a amiga — O que vocês estão olhando?

Penélope e as suas amigas inseparáveis viram a cena de longe: Alan se aproximando de Fred, falando com rapaz como se a sua companhia não estivesse lá. Abraçando o amigo, ele lhe diz algo, mudando a fisionomia da garota de botas, que agora olha para os dois com seriedade e desconfiança. Alan fala mais alguma coisa e se afasta, retornando em direção à Penélope. Fred chama pelo amigo, que não responde, ele tenta conversar com a garota e ela o repele gesticulando as mãos, dando às costas ao rapaz e indo embora, se reunindo com as suas amigas, que até então, estavam despercebidas pelo quarteto que observava toda a situação.

Alan agora já estava próximo à Penélope com um sorriso malicioso enquanto Fred estava parado, pensando no que tinha acontecido.

— O que você disse a eles? — perguntou Penélope ao namorado.

— Nada demais Amor, só disse que tínhamos uma festa particular e que ela não estava convidada, pois tínhamos os pares perfeitos. — continuou com a malícia no rosto.

Penélope não pôde fazer mais perguntas, Fred vinha enfurecido atrás do capitão do time:

—Por que você fez aquilo, cara?! Não precisava disso, a garota foi embora puta da vida!

— Relaxa garanhão, aqui tem garotas melhores, a Cléo, por exemplo, ela sim é mulher pra você! Não aquele projeto de biscate que só quer saber de dinh….

Alan não terminou a frase, Fred já tinha avançado sobre ele e acertado um soco no rosto. Os dois se engalfinharam e rolaram no chão, mas os demais jogadores do time chegaram a tempo da situação piorar.

— Não devia ter feito isso seu babaca — Alan limpou o sangue que escorria no canto esquerdo da boca –— Você sabe que é verdade e que tá perdendo o seu tempo, eu fui seu amigo!

— Amigo?! Você é um idiota que pensa que é dono do time, dos jogadores e da escola, vai se ferrar!

Antes que a briga recomeçasse, Cléo puxou Penélope, pedindo para irem embora. A amiga concordou sem hesitação, chamando as outras duas, e argumentando aos garotos que poderiam ficar brigando a noite toda, mas para elas, já tinham visto o suficiente para acabar com a festa.

— Pra mim essa festa já deu também — disse Alan. — Você Fred, pode ir a pé pra casa, pois o seu “amigo” aqui não vai te dar carona.

Fred deu de ombros e foi embora, já conhecia o caminho do lago até em casa, pois, durante o verão, corria sempre nesse percurso, para chegar ao time em plena forma física.

A noite chegara e tinha esfriado muito, típico para o clima de floresta, a lua era Cheia, para os mais românticos, motivo para sair de casa e, para os mais místicos, motivo de cautela. Para Fred, isso não importava, ele estava bêbado, sozinho, com frio e com uma vontade imensa de urinar. Pensou em fazer ali, na beira da estrada mesmo, mas poderia ser facilmente incomodado pelos festeiros ou pelos seus “colegas” de time. Resolveu entrar na mata, para que não fosse perturbado por ninguém.

Durante o seu ato fisiológico ouviu um barulho, não se incomodou muito, porém o barulho foi se aproximando, como se duas pessoas estivessem vindo em sua direção.

— Q-quem está aí? — perguntou o jovem, já assustado.

Ninguém ou nada respondeu, porém o som da aproximação era nítido. O rapaz, tentando mostrar segurança, falou em tom mais alto:

— Alan, chega de babaquice por hoje cara, não estou com vontade pra mais brincadeiras idiotas — o rapaz mal tinha acabado de urinar e fechou o zíper, molhando as calças.

Novamente não houve respostas, mas sim um barulho diferente, definindo que realmente não eram duas pessoas, mas sim algum animal de quatro patas.

Sabendo que não era humano, que aquilo deveria ser um animal grande, e que começava a ouvir um rosnar crescente em sua direção, Fred começou a correr de volta à estrada. Pelo seu afoitamento, o rapaz tropeçou e caiu no chão rolando ribanceira abaixo, na parte mais densa da floresta.

Ele se levantou e começou a correr novamente. Só xingava e pensava em encontrar qualquer pessoa na estrada, Nathália, Cléo ou até o babaca do Alan! Percebeu que o que estava atrás dele se aproximara e, mesmo sem poder ver o que era, sabia que era algo grande, feroz e deveria estar com fome! O jovem esqueceu seus pensamentos e começou a gritar por socorro, porém a fera atrás dele o alcançou e com um salto o derrubou. Fred sentia o peso de um time inteiro em suas costas. Pensou em virar para tentar se defender daquele animal, mas não deu tempo. A besta começou a dilacerar as suas costas com as garras, arrancando-lhe a jaqueta do time, perfurando a sua carne até chegar às costelas. Fred sentiu dor no começo, pensava que animal poderia ser aquele. Se era uma onça, um cão selvagem ou um lobo, mas depois de alguns segundos, ele não pensava mais nisso, não sentia mais dor, só um frio que o consumiu até o fim.

Confira as nossas resenhas: Hemlocke Grove

Vampiros, Lobisomens, mistérios e…?

| Por C.J. Fernandes

|09/04/2018

Em um daqueles casos de assistir a adaptação antes da obra original, Hemlocke Grove foi uma série que me fascinou na primeira temporada. Assisti a segunda (com um season finale, absurdo, típico ex-machina) e tentei assistir a terceira, mas desisti. Como já tinha o livro no Kindle, resolvi dar uma chance, até para ver as diferenças entre a série e o texto. Ainda bem que o livro todo é adaptado na primeira temporada, porém, isso pode ter sido ruim também.

A história inicialmente não é nada original. Um corpo de uma adolescente é encontrado e o mistério que circunda a sua morte como de outras pessoas também. Clichê. Entretanto, uma dupla de colegas de escola improvável (um cigano e um playboy) é formada a fim de descobrir quem é responsável pelas mortes e ao mesmo tempo livrar um desses alunos de ser acusado pela polícia e sociedade de Hemlock Grove.

Em meio a isso, somos apresentados a lobisomens, vampiros e cientistas com síndrome de Victor Frankstein, parece, mas não é tão clichê assim.

O autor, Brian Mcgreevy, escreve muito, muito bem. Para a sua primeira obra, seu texto é ligeiro e ele usa e abusa das analogias com talento. O seu universo em Hemlocke é muito bem estabelecido, conhecemos um pouco de cada personagem embora os mistérios que os envolvam, assim como os da cidade, deixam pontas soltas para uma provável continuação. Você sabe que ele as deixou de propósito, para que compremos o segundo livro. Segundo livro esse, que nunca existiu, e aí que está o problema.

A premissa em si é resolvida nessa edição, assim como na primeira temporada da série. Porém, não existe uma continuação do livro e o próprio autor confirmou que não tem previsão e nem sabe se haverá um segundo. Isso é desanimador, pois queremos saber como aquela história continua, para onde os personagens vão e quais são as respostas pelas perguntas inevitáveis que surgem no decorrer da leitura. Parece que Mcgreevy, que teve seu texto várias vezes recusados em Los Angeles, após fazer sucesso como autor e produtor de seriado, se deixou seduzir pela indústria, esquecendo dos leitores, que é por onde tudo começa. Seria uma síndrome de George R. R. Martin?

Título: Hemlocke Grove

Autor: Brian McGreevy

Editora: Leya

Páginas: 340

Sinopse oficial

Para você que está cansado de livros de vampiros e lobisomens inofensivos e sensíveis… Um mistério abala a cidade de Hemlock Grove. Quando Brooke Bluebell, uma jovem de 17 anos, é brutalmente assassinada na antiga siderúrgica de Godfrey numa noite de lua cheia, as suspeitas rapidamente recaem sobre Peter Rumancek, o jovem cigano que muitos acreditam ser um lobisomem, e Roman Godfrey, o esnobe milionário herdeiro da fábrica onde o corpo de Brooke foi encontrado. Injustiçados, Peter e Roman resolvem unir forças para descobrir o verdadeiro assassino e provar que são inocentes. A caçada começa quando outras mortes passam a ocorrer – também em noites de lua cheia – e os jovens começam a desconfiar que estão mais envolvidos com o caso do que poderiam imaginar… Em “Hemlock Grove” os arquétipos de monstros clássicos são recriados de forma inovadora e eletrizante. A cada página, o mistério se intensifica, envolvendo o leitor numa trama de horror surpreendente, indicada para aqueles com estômago forte.

Sobre  autor: Brian McGreevy foi criado em Pennsylvania onde abandonou o ensino médio na nona série por “diferenças criativas”.

Enquanto revisava  Hemlock Grove,  McGreevy trabalhou como roteirista freelancer, período no qual apenas um projeto em que ele trabalhou entrou em produção. Frustrado com a indústria cinematográfica e sentindo a migração de audiências para serviços de streaming, McGreevy vendeu seu manuscrito para a Netflix em 2011, que foi adaptado em uma série original de mesmo nome, que durou três temporadas.

McGreevy fez parceria com o ex-colega de classe de Michener, Philipp Meyer, para transformar o romance da série de novelas de Meyer,  The Son,  em uma série para a AMC. Em 2015, ele lançou uma novela digital chamada  Desire  definida antes dos eventos de  Hemlock Grove.  Seu segundo romance,  The Lights  (Rarebird, 2017) é um exame de amor e arte inspirado em sua experiência em Austin.

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

 

Confira as nossas resenhas: Eu sou a lenda.

Um náufrago ilhado por vampiros

| Por C.J. Fernandes

|12 de março de 2018

Lembro de estar sem sono em uma madrugada dessas e ligar a TV na rede Globo e assistir, na sessão Corujão (nem sei se ainda existe), um filme em que um homem vivia aparentemente sozinho no planeta e tinha vampiros (ou monstros, ou zumbis, nem sei o que eles eram!) como vizinhos. Décadas depois soube que uma adaptação daquele filme sairia de novo, agora com o nome de sua obra original (sim, era baseado em  um livro!!) e estrelado pelo astro do cinema Will Smith. Imediatamente lembrei daquela sessão de filme na madrugada durante a minha adolescência. Assisti à nova adaptação e fiquei curioso em relação ao livro, até porque Stephen King e George A. Romero já haviam declarado que esta foi uma obra que os influenciou em suas carreiras. Um é o mestre do terror e outro o mestre dos zumbis.  Só isso.

Na verdade, existem três adaptações para a obra de Richard Matheson e elas, pelo menos das duas que assisti, não têm muita fidelidade com o livro. Isso é normal em adaptações audiovisuais, mas aqui a diferença realmente é grande. Como a resenha é sobre o livro, vamos a ela!

Robert Neville é o único ser humano comum na Terra após uma doença transformar os demais  em vampiros. Ao que tudo indica ele é imune e não se torna um mesmo sendo mordido. O livro mostra a rotina de Neville, a interação com os vampiros que o cercam e as teorias para o porquê daquelas pessoas virarem vampiros e terem fraquezas por conta do alho, propagação da praga e aversão a crucifixos (e se um mulçumano fosse vampiro?).

Um dos destaques do livro é justamente sobre as teorias e investigações científicas que ele cria para pesquisar a origem e as características dos vampiros. Para a época, o livro foi escrito em 1954, e até para hoje, poucos foram as obras vampirescas que criam uma teoria acessível sobre a origem dos sanguessugas. Além de divertidas e razoavelmente possíveis , essas pesquisas fazem também com que Neville tenha dias menos tediosos o que dá ritmo e propósito à obra.

Outro destaque fica por conta de uma inversão  da típica história de vampiros. Em uma história tradicional, vemos uma criatura da sombras lendária, solitária ou com alguns semelhantes e vassalos, chegar a uma cidade, aterrorizando a ela e aos seus habitantes que até então tinham uma vida comum. Aqui é o oposto. O mundo é tomado por vampiros e Neville é o único sobrevivente (um náufrago)  que mora em uma casa bem guardada (a sua ilha) rodeado por vampiros . Aqui, ele é a lenda!

O livro tem uma diagramação muito boa, mesmo tornando um pouco mais gordinho, a sua leitura é rápida e fluída. Entretanto, não é um livro intenso, a leitura pode até não agradar aqueles que gostam de um ritmo mais acelerado, embora nas últimas páginas o autor dê um novo sentido a Neville aumentando a intensidade da trama até o seu desfecho lendário.

Diferente de outros livros, há uma sessão extra no final contendo um estudo universitário sobre a obra e uma entrevista com o autor, Richard Matheson, que faleceu em 2013. Fiquei curioso para conhecer outras obras dele, algumas estão na minha lista para os próximos anos (2018 está fechado) entre elas fiquei curioso com: Em algum lugar no passado, Amor além da vida, O incrível homem que encolheu e A casa infernal (todos já adaptados para o cinema).

 

Título: Eu sou a lenda

Autor: Richard Matheson

Editora: Aleph

Páginas: 336

Sinopse oficial: Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso… Eu sou a lenda, é considerado um dos maiores clássicos do horror e da ficção científica, tendo sido adaptado para o cinema três vezes.

Sobre  autor: Richard Matheson nasceu em 1926 em New Jersey e é considerado um dos principais nomes da ficção científica, da fantasia e do terror. Suas obras já influenciaram grandes nomes da literatura como Stephen King, Anne Rice e Harlan Ellison.

Matheson roteirizou episódios para o The Twilight Zone e Star Trek, adaptou as obras de Edgar Allan Poe para o cinema e escreveu o primeiro trabalho para TV de Steven Spielberg. Além disso, teve muitos trabalhos adaptados para o cinema, como Eu Sou a Lenda, O Incrível Homem que Encolheu, Em Algum Lugar do Passado e Amor Além da Vida.

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

Confira as nossas resenhas: Carrie, a estranha

Ser estranha é errado?

| Por C.J. Fernandes

| 26 de fevereiro de 2018

Lendo o penúltimo livro da minha coleção de Stephen King (falta o Dr Sono), percebi que até agora os seus livros têm o mesmo antagonista, um monstro que tem várias faces, mas está lá sempre presente, fazendo as mesmas maldades, porém com suas diversas máscaras que quase sempre passam despercebidos. Sobre isso falaremos mais tarde.

A história situa-se na cidade de Chamberlain, estado do Maine. Margaret White, uma fanática religiosa, cria sozinha a sua filha Carrie, fruto do ” seu pecado” com o seu ex-marido. Sob a sua tutela, a menina tem uma vida privada do mundo exterior (praticamente ela vai da escola pra casa e da casa pra escola), não tem amigos, e , entre as suas habilidades, sabe costurar, rezar, apanha da mãe pelos seus pecados (isso não é beeem uma habilidade) e , (ah!) é telecinética. Isso mesmo! Ela tem telecinésia, que é a capacidade de mover objetos pela força da mente. Desde a sua infância, ela possui este dom, embora se aflore com o tempo, em especial após a sua menarca. Não sabe o que é isso? Carrie também não. Sua mãe vive num mundo de pecados tão particular que até a menstruação é um e, por isso, nunca explicou a filha o que era. Aliás qualquer coisa que ela faça é um ato pecaminoso, ela apanha, apanha, apanha e depois deve rezar dentro de um armário que a mãe montou,  uma espécie de altar peculiar.

Para não entrar em detalhes, logo no início vemos como ela sofre com as colegas da escola e, por isso, uma delas sente pena e tenta se redimir pedindo que o namorado a leve para o baile de primavera no lugar dela. Grande erro Sue, grande erro.

Difícil alguém não ter assistido a adaptação deste livro (foram três filmes!). Podem até não ter assistido a sua sequência sem sentido (Carrie 2, pra quê?), mesmo assim não entrarei em detalhes sobre a trama que tem seu ápice no baile escolar.

Este foi o livro que alavancou a carreira de King. Sendo um dos primeiros , e mais curtos,  de seus livros. É normal se dar um crédito pelo seu início de carreira, mas isso não acontece aqui, pois King mostra uma narrativa fluída e envolvente, fazendo com que conheçamos os personagens desta trágica história sem nos cansarmos e chegarmos ao início do fim ( a partir do capítulo 2) tão envolvidos com a trama que, simplesmente, não conseguimos parar de ler até a última página.

Mesmo sendo a primeira obra dele (é a quarta que leio) percebi que todas têm diferentes protagonistas (uma garota telecinética, uma família em crise, um grupo de amigos de infância ou um garoto em uma cadeira de rodas) e um único antagonista. Este não se veste de palhaço, vira lobisomem ou é um hotel assombrado, ele é muito mais perigoso do que todos esses juntos. Atenção para o spoiler: ele é o ser humano.  Em toda obra o(s) personagem(ens) principal(ais) confronta(m) com os seus demônios interiores e exteriores. Estes são seus colegas de escola, mães devotas, pais abusivos, e até padres. O que eles têm em comum? São humanos, com seu egoísmo, orgulho, prepotência e maldades presentes em todos nós, todos nós! O fator sobrenatural está sempre presente também, mas o horror pelo que o protagonista passa pode muito bem ser vivido na vida real, por meio dos nossos medos, da nossa experiência de vida. Quando lemos as suas obras, muitas vezes podemos nos ver enfrentando um lobisomem, um vampiro, um zumbi, isso seria até legal, mas quando vemos as situações de bullying, abusos e humilhações de forma geral, ah, essas sim nos dá um medo danado, pois é algo que pode acontecer conosco ou, mais provavelmente , já aconteceu e não nos traz boas lembranças.

Título: Carrie, a estranha

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Páginas: 199

Sinopse oficial:

Carrie é uma adolescente tímida e solitária. Aos 16 anos, é completamente dominada pela mãe, uma fanática religiosa que reprime todas as vontades e descobertas normais aos jovens de sua idade. Para Carrie, tudo é pecado. Viver é enfrentar todo dia o terrível peso da culpa.

Para os colegas de escola e até para os professores, Carrie é uma garota estranha, incapaz de conviver com os outros. Cada vez mais isolada, ela sofre com o sarcasmo e o deboche dos colegas. No entanto, há um segredo por trás de sua aparência frágil: Carrie tem poderes sobrenaturais, é capaz de mover objetos com a mente.

No dia de sua formatura, Carrie é surpreendida pelo convite de Tommy para a festa – algo que lhe dá a chance de se enxergar de outra forma pela primeira vez. O ato de crueldade que acontece naquele salão, porém, dá início a uma reviravolta cheia de terror e destruição.

Chegou a hora do acerto de contas.

Sobre  autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

Confira as nossas resenhas: Stephen King. A biografia: coração assombrado.

Ao mestre, com carinho (nem tanto)

| Por C.J. Fernandes

| 19 de fevereiro de 2018

Não lembro ao certo quando resolvi ler Stephen King. Acho que foi assistindo alguma resenha, em algum canal do Youtube,  da obra O Iluminado. Comprei o livro pelo Kindle e achei o romance lento. Dei mais uma chance com It e o autor me conquistou. É claro que o fato desse autor ser um dos mais adaptados pelos meios audiovisuais contribuiu para aumentar a minha curiosidade sobre ele e sua carreira. A biografia é completa, fala da história dos pais de King e do seu misterioso nascimento (nem nasceu, mas já criou surpresas!), da sua infância até a vida adulta. Até aí nada demais, até aí. O que muitos não sabem, inclusive este que vos fala, até ler esta biografia, é que King teve uma infância difícil. Aliás não só a infância, mas a vida toda.

Até fazer o sucesso que todos conhecem, King comeu o pão que o palhaço do bueiro amassou. Seu pai foi comprar cigarros (mais tarde ele começou a ler hqs de terror), ele vivia de favores na casa dos parentes (lia e começou a escrever as próprias histórias), quando entrou na faculdade só tinha um par de jeans (lia um livro diferente nos intervalos das aulas e não parou de escrever), concluiu os estudos casado (lendo e escrevendo), já com um filho e sem emprego (não parou de ler e escrever), conseguiu um emprego na lavanderia (escrevia e lia lá), morou num trailer (lá também), teve mais dois filhos  (adivinhem o que ele não parava de fazer?), começou a dar aulas e veio Carrie (calma, não foi o quarto filho).

Carrie (a estranha) foi o primeiro sucesso de Steve (para os íntimos), embora não tenha sido o primeiro que ele escrevera. O trajeto de King não foi diferente de outros autores. Ele lia muito, escrevia mais ainda e tinha vários contos publicados em revistas porém, não emplacara nada significativo até a história da garota telecinética. A biografia narra tanto a carreira profissional quanto pessoal. O destaque é para o seu relacionamento com drogas, com a família e como a sua vida mudou (ou não) depois do sucesso.

Como qualquer autor ou mesmo pessoa que tenha alcançado o sucesso, King não desistiu. Não faltaram adversidades, mas ele seguiu em frente, pelo que amava e pelos que amava (é claro que a esposa Tabitha, teve papel fundamental). Algumas biografias são cruéis e outras nos mostram histórias de superação. Ambas trazem histórias reais e humanas, assim como acontece na vida, e é, justamente, isso o que as tornam tão surpreendentes.

Ficha Técnica

Título: Stephen King. A biografia: coração assombrado.

Autora: Lisa Rogak

Editora: Darkside Books

Páginas: 315

Sinopse oficial:

Longa vida ao Rei. Stephen King completa 70 anos no próximo dia 21 de setembro de 2017 e para celebrar em grande estilo a DarkSide Books está relançando neste mês de aniversário a biografia do mestre numa edição especial para colecionadores.
Stephen King — A Biografia: Coração Assombrado foi um dos primeiros títulos lançados pela DarkSide, em 2013, e a edição original estava esgotada. Mas, como o próprio King diria: às vezes eles voltam! Todos os fantasmas e os segredos do autor de O Iluminado e It: A Coisa são revelados mais uma vez. Aproveite, quem é fã de verdade não pode perder esta nova edição, aprovada pelo mestre, que também comemora os 5 anos da DarkSide Books.

Com 300 milhões de livros vendidos e mais de 50 prêmios por suas obras, Stephen King tornou-se parte da história da cultura pop mundial. Um gênio que produz incessantemente há mais de quatro décadas, King está no Guinness Book como o autor vivo com o maior número de adaptações para o cinema.

Em A Biografia: Coração Assombrado, você vai viajar ao estado do Maine real, onde Stephen King nasceu, e entender de onde veio a inspiração para o universo fantástico de Castle Rock. Descubra quem é o homem por trás do mito.

Nesta obra indicada ao Prêmio Edgar Allan Poe de Melhor Biografia, a jornalista Lisa Rogak nos conduz, com rigor e pesquisa, pelo universo peculiar de Stephen King. Reconstitui sua infância difícil — marcada pelo ausência do pai, que estranhamente se conecta com o Brasil —, revela suas angústias e seus medos mais profundos como autor, resgata os primeiros contatos do jovem King com a escrita e sua luta contra a dependência química.

Sobre a autora: Lisa Rogak é uma autora americana, principalmente de biografias e outros livros de não-ficção . Ela também é escritora freelance.

Sua biografia de Stephen King foi nomeada para um Prêmio Edgar de 2010 para Melhor Trabalho Crítico / Biográfico.

Rogak cresceu em Glen Rock, Nova Jersey e agora mora em New Hampshire .

Onde encontrar o melhor preço: www.amazon.com.br

 

Confira as nossas resenhas: Os sete

Sete vampiros portugueses chegaram ao Brasil …

I Por CJ Fernandes

I 5 de fevereiro de 2018

Parece piada mas não é. Imagina se sete vampiros portugueses fossem encontrados em uma caravela afundada há aproximadamente quinhentos anos depois de ter partido de Lisboa? Essa é a premissa de Os Sete primeiro livro do autor brasileiro André Vianco. A história, não a do livro, mas da tiragem dele, é muito interessante. Vianco bancou toda a primeira impressão usando o seu FGTS, pois acabara de ficar desempregado. Conquistando fãs numerosos, uma editora o procurou, garantindo mais cópias e expandindo a sua carreira de escritor. Atualmente são mais de vinte obras publicadas.

A história do livro (agora sim!) se inicia quando um grupo de mergulhadores encontram uma caravela portuguesa afundada na cidade de Amarração, no Estado do Rio Grande do Sul. Além de antiguidades e moedas da época, eles descobrem uma caixa de prata. Na superfície dessa caixa há sete nomes escritos (Inverno, Gentil, Acordador, Tempestade, Lobo, Espelho e Sétimo), além de uma advertência para não abrir a arca misteriosa. Como em um bom livro de terror eles ignoram a advertência e resolvem abri-la iniciando essa história de terror tupiniquim.

O livro de estreia de Vianco inicia em ritmo lento, muito lento, lento mesmo. Nessa velocidade, acompanhamos tanto os violadores da caixa quanto os vampiros, mostrando assim os dois pontos de vistas divergentes da história. Essa lentidão não se dá apenas em relação à construção de personagens, mas também pela ambientação dos vampiros despertos. Há  pequenas cenas de ação para acelerar um pouquinho o ritmo, que logo retorna para a segunda marcha. Mesmo assim, é divertido, isso mesmo , o diálogo entre os vampiros e as pessoas que eles conhecem pelo percurso, mostrando a sua inocência com os avanços da tecnologia e cultura nacional após meio milênio de hibernação é o ponto forte do livro. “Ô portuga”, é uma expressão usada muitas vezes, porém pejorativa apenas em uma cena. Em dois terços da história, ela vai pra quinta marcha, deixando o leitor com aquela impressão de: “Ah, ele deve estar sonhando!”. É tão brusca que você acha que pulou algumas páginas. Porém essa aceleração é importante para que a obra se conclua, devido  à enrolação anterior. Mesmo assim é um livro histórico para a literatura nacional, pois foi um dos primeiros de muitas obras brasileiras no gênero de terror que alcançou um público admirável de leitores daqui, virando um best-seller a partir da coragem do seu autor. Com isso surgiram vários escritores e leitores brasileiros no gênero e Vianco não parou mais de escrever. Aliás, ele criou um universo vampírico (roubei essa palavra do livro) único, brasuca, digno de Anne Rice.

Ficha Técnica

Título:  Os setes

Autor: André Vianco

Editora:  Aleph

Páginas: 432

Sinopse Oficial: Na trama ambientada em terras brasileiras, uma caravela portuguesa naufragada com mais de 500 anos é descoberta no litoral do país. Dentro dela, uma estranha caixa de prata lacrada esconde um segredo. Apesar do aviso grafado, com a recomendação de não abri-la, a equipe de mergulhadores que a descobriu decide seguir em frente, e encontra sete cadáveres. Esses corpos misteriosos são levados para estudos e tudo parece estar sob controle até o despertar do primeiro deles. O romance mistura diversos elementos já conhecidos na escrita de Vianco: terror, suspense, fantasia, sobrenatural, romance e o tema pelo qual o autor é reconhecido: VAMPIROS.

Lançado de forma independente em 2000, Os Sete, de André Vianco, conquistou uma multidão de fãs e se tornou um best-seller, vendendo mais de 100 mil exemplares. O sucesso foi tão grande que consagrou o autor como um dos mais importantes na literatura de fantasia nacional. É neste romance que Vianco atualiza o mito dos vampiros e o encaixa na realidade brasileira, apresentando ao leitor seres poderosos, cada um com uma característica única, porém, todos monstruosamente perversos.

A nova edição chega ao leitor com a ilustração de capa produzida pelo brasileiro Rodrigo Bastos Didier e o design é de Pedro Inoue, o mesmo artista de 2001: Uma Odisseia no Espaço e a da edição comemorativa de 50 anos de Laranja Mecânica.

Sobre o autor: Nascido em 1976, André Vianco começou a escrever na adolescência, bancando do próprio bolso seus primeiros livros e indo pessoalmente às livrarias apresentá-los aos vendedores. Nos anos 2000, produziu mil cópias de sua primeira obra, Os sete, que rapidamente conquistou o público e se tornou um best-seller. Hoje é considerado o principal expoente contemporâneo do terror e do suspense na literatura brasileira. Depois do sucesso de Os sete, Vianco escreveu mais vinte outras obras, que juntas venderam quase 1 milhão de exemplares.

ONDE ENCONTRAR PELO MELHOR PREÇO: https://www.saraiva.com.br

Confira as nossas resenhas: Superman: entre a foice e o martelo

Para o alto e avante, camaradas!!

I Por C.J. Fernandes

I 26 de dezembro de 2017

A DC Comics é famosa não apenas por ter na sua galeria personagens icônicos como Superman, Batman, Mulher Maravilha e Flash entre outros. A editora também se destaca por criar excelentes histórias alternativas, fora do seu cânone, que tornam-se referências para qualquer leitor de HQs. Assim foi com “O cavaleiro das trevas” de Frank Miller, “Reino do amanhã” de Mark Waid e Alex Ross, “Crise nas infinitas Terras” de Marv Wolfman e George Pérez e com “Superman – Entre a foice e o martelo”, com roteiro de Mark Millar e desenhos de Dave Johnson e Kilian Plunkett (na maioria das artes).

A história ocorre em uma realidade na qual a nave do bebê Kal-el, vinda de Krypton, cai na Ucrânia, ainda pertencente à União Soviética. A primeira questão a ser respondida é se o Superman soviético tem a sua essência de bom moço preservada ou se a ideologia socialista de Stalin o torna uma ameaça para o estilo vida capitalista norte-americano.

Independente da personalidade do homem de aço, o seu inimigo, o norte-americano, Lex Luthor, se preocupa mais com a sua vaidade do que com a segurança nacional, o que o torna o inimigo número um também nesse universo paralelo. Como estamos em outra realidade, a participação e origem de outros personagens, como a Mulher-Maravilha, Lois Lane, Lanterna Verde e Batman (que é a melhor na minha opinião) é alterada também, sendo, quase, a cereja do bolo dessa excelente história escrita por um dos meus autores favoritos, o escocês Mark Millar (o mesmo autor de “O procurado”, “Kick Ass” e “Kingsman” entre outros).

Seguindo a nossa política anti-spoiler, a história vale a pena para conhecermos um Superman por outra perspectiva, seguindo outra ideologia. O final é surpreendente, a cereja do bolo definitiva, embora, mais uma vez na minha opinião, poderia ter uma coisinha, um detalhe, uma questão de geografia, que faria o final perfeito para essa história já consagrada.

Título: Superman: entre a foice e martelo

Editora: Panini Comics

Sinopse oficial: Depois dessa surpreendente releitura de um conto mais que familiar, uma certa nave kryptoniana cai na Terra, trazendo um infante que um dia se tornará o ser mais poderoso do planeta. Mas seu veículo não caiu nos Estados Unidos. Ele não foi criado em Smallville, Kansas. Em vez disso, encontrou um novo lar em uma fazenda coletiva na União Soviética! Da mente de Mark Millar, elogiado roteirista de Authority e O Procurado, chega esta estranha e genial reinterpretação do mito do Superman. Com arte de Dave Johnson, Kilian Plunkett, Andrew Robinson e Walden Wong.

Sobre o autor: Mark Millar é um premiado autor de história em quadrinhos escocês nascido em Coatbridge, Escócia. Residente em Glasgow, Millar tornou-se o autor cujos trabalhos são os mais vendidos na América na década de 2000. Em 2004, criou o  Millarworld, selo que abriga suas histórias autorais. Suas obras mais conhecidas incluem: The Authority, a releitura de Os Vingadores de Stan Lee e  Jack Kirby,  Os Supremos, Marvel Knights Spider-Man, Old Man Logan, Superman: entre a foice e o Martelo, Ultimate Fantastic Four, a mega saga Guerra Civil e os autorais O Procurado, Kick-Ass e Kingsman: Serviço Secreto.

 

 

Estamos lendo: Os Sete

Os Sete

I Por CJ Fernandes

I  19 de dezembro de 2017

Sinopse oficial:

Na trama ambientada em terras brasileiras, uma caravela portuguesa naufragada com mais de 500 anos é descoberta no litoral do país. Dentro dela, uma estranha caixa de prata lacrada esconde um segredo. Apesar do aviso grafado, com a recomendação de não abri-la, a equipe de mergulhadores que a descobriu decide seguir em frente, e encontra sete cadáveres. Esses corpos misteriosos são levados para estudos e tudo parece estar sob controle até o despertar do primeiro deles. O romance mistura diversos elementos já conhecidos na escrita de Vianco: terror, suspense, fantasia, sobrenatural, romance e o tema pelo qual o autor é reconhecido: VAMPIROS.

Lançado de forma independente em 2000, Os Sete, de André Vianco, conquistou uma multidão de fãs e se tornou um best-seller, vendendo mais de 100 mil exemplares. O sucesso foi tão grande que consagrou o autor como um dos mais importantes na literatura de fantasia nacional. É neste romance que Vianco atualiza o mito dos vampiros e o encaixa na realidade brasileira, apresentando ao leitor seres poderosos, cada um com uma característica única, porém, todos monstruosamente perversos.

A nova edição chega ao leitor com a ilustração de capa produzida pelo brasileiro Rodrigo Bastos Didier e o design é de Pedro Inoue, o mesmo artista de 2001: Uma Odisseia no Espaço e a da edição comemorativa de 50 anos de Laranja Mecânica.

FICHA TÉCNICA

Edição: 1ª

ANO: 2016

Páginas: 432

ACABAMENTO:brochura

Peso: 0,600 kg

ISBN: 9788576573388

 

Confira as nossas resenhas: O iluminado

Era uma vez um hotel amaldiçoado…

I Por CJ Fernandes

I 20 de novembro de 2017

Conheci O Iluminado através do cinema, na adaptação de Stanly Kubrick, estrelada por Jack Nicholson. Assisti já adulto e achava que teria mais medo do que realmente tive. Curioso, anos depois resolvi ler o romance que deu origem ao filme, seria o meu primeiro livro de Stephen King e a expectativa era grande, mesmo ouvindo críticas do livro em comparação ao filme.

Uma técnica da escrita para fazer com que o leitor crie empatia, ou antipatia, pelos seus personagens é fazer essa construção de relacionamento no início do livro. Para muitos podem parecer enrolação, mas é algo necessário, caso contrário, você não compra, não acredita na história e abandona o livro, fazendo com que o autor não venda nada e morra de fome (dramático, eu sei). King é conhecido por fazer essa construção /apresentação, sem pressa e detalhada. Eu não sabia disso e fui descobrir nessa obra. Ele demora muito, muito mesmo, para essa construção. Eu até achava que coisa minha, pelo fato de ler quadrinhos, que é uma velocidade maior, ou outros livros que não tinha me incomodado com isso, enfim, pensava que era pessoal, mas não era. Tenho um amigo, aquele que leu It e a saga inteira, eu disse inteira, da Torre Negra (7 livros) duas vezes, que desistiu de O Iluminado. Eu quase desisti, quase. Virou uma questão de honra ler esse livro!

A construção de personagens gira em torno de quatro: Jack Torrance, o pai, Wendy, a mãe, Danny, o filho, O Iluminado (calma, não é spoiler, é?) e o Overlook (sim, o hotel). Talvez aí esteja o grande trunfo do livro, o hotel é um dos seus grandes antagonistas. O seu passado é fator importante para o entendimento do presente, compreendendo o porquê que as coisas acontecem daquela forma e como ele tem o poder de influenciar as pessoas que se hospedam, ou moram nele. O novo zelador do hotel, Jack tem os seus próprios demônios para lidar e é aí que o hotel vê uma oportunidade. Oportunidade essa, quando o seu filho Danny, um garotinho de cinco anos, se mostra ser um iluminado, o que aguça a cobiça do Overlook em possuí-lo. O ritmo arrastado da obra gira em torno da relação de Jack com a sua família e com o hotel.

Até metade, ou um pouco mais do livro, vemos o relacionamento de Jack com o hotel aumentando, em detrimento do seu com a sua família. Com isso, o ritmo do livro acelera em algumas cenas, seguindo por pausas para recuperar o fôlego do leitor. Quando a história está próxima do final, aí sim, a obra deslancha. O ritmo é frenético e é impossível abandonar o texto. King escreve bem! Como escreve e ao chegar no final da história a gente se pergunta como aquela família estaria depois daquela experiência traumática. Entretanto, não precisamos imaginar, pois King escreveu Dr Sono, a sua continuação. Atualmente, a Suma de Letras lançou uma edição de luxo de o Iluminado com um novo prólogo e epílogo, além da revisão de texto. Não me atreverei a ler o livro de novo (no futuro quem sabe?), mas Dr Sono, já está na minha prateleira.

Título: O Iluminado

Autor: Stephen King.

Editora: Suma de letras.

Sinopse oficial: O lugar perfeito para recomeçar, é o que pensa Jack Torrance ao ser contratado como zelador para o inverno. Hora de deixar para trás o alcoolismo, os acessos de fúria e os repetidos fracassos. Isolado pela neve com a esposa e o filho, tudo o que Jack deseja é um pouco de paz para se dedicar à escrita.
Mas, conforme o inverno se aprofunda, o local paradisíaco começa a parecer cada vez mais remoto… e sinistro. Forças malignas habitam o Overlook, e tentam se apoderar de Danny Torrance, um garotinho com grandes poderes sobrenaturais.
Possuir o menino, no entanto, se mostra mais difícil do que esperado. Então os espíritos resolvem se aproveitar das fraquezas do pai…
Um dos livros mais assustadores de todos os tempos, O iluminado é uma das obras mais consagradas do terror.

Páginas: 464

Sobre o autor: É autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Reviewe ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Onde encontrar o melhor preço: https://www.livrariacultura.com.br